A Agência Nacional de Saúde Suplementar abandonou a proposta de criação de planos de saúde simplificados, que teriam cobertura limitada e não incluiriam atendimentos de emergência nem internações hospitalares.
A decisão ocorreu após críticas de especialistas, servidores da agência e entidades ligadas à defesa do consumidor, que alertaram para riscos de desinformação e prejuízos aos usuários.
Preocupação com cobertura reduzida
O modelo em estudo previa mensalidades mais baixas e cobertura restrita a consultas e exames. No entanto, especialistas apontaram que muitos consumidores poderiam contratar o serviço acreditando se tratar de um plano de saúde tradicional.
A principal preocupação era que usuários descobrissem a ausência de cobertura hospitalar apenas em momentos de urgência ou necessidade de internação.
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Novo foco: cartões de desconto
Com o recuo, a ANS informou que concentrará esforços na regulamentação dos chamados cartões de desconto em saúde.
Esses produtos oferecem acesso a consultas, exames e procedimentos com preços reduzidos mediante pagamento de mensalidade ou taxa anual, mas não funcionam como plano de saúde e não garantem cobertura assistencial integral.
Objetivo é proteger consumidores
A agência pretende criar regras para ampliar a transparência do setor e evitar práticas enganosas. Entre os pontos que podem ser regulamentados estão:
- Clareza nas propagandas e ofertas
- Explicação objetiva sobre limites do serviço
- Diferenciação entre cartão de desconto e plano de saúde
- Regras contratuais mais transparentes
- Maior proteção ao consumidor
Mercado em crescimento
Os cartões de desconto cresceram nos últimos anos como alternativa de acesso à saúde privada de menor custo, especialmente entre famílias sem plano tradicional.
Com a regulamentação, a expectativa é oferecer mais segurança jurídica e informação clara para quem contrata esse tipo de serviço.
A tendência é que a ANS promova discussões técnicas e possíveis consultas públicas antes de editar novas normas para o segmento.