O debate sobre a chamada “taxa das blusinhas” voltou ao centro da política nacional e escancarou divergências dentro do próprio governo. Enquanto alguns defendem o fim do imposto sobre compras internacionais, outros reforçam a importância da medida para proteger a economia brasileira.
Nesta quinta-feira (16), o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou que não há qualquer decisão tomada sobre a revogação da taxa. Mais do que isso, ele defendeu a manutenção do imposto, destacando seu papel na preservação de empregos e na competitividade da indústria nacional.
Segundo Alckmin, mesmo com a cobrança, os produtos importados ainda chegam ao consumidor com custo menor do que os produzidos no Brasil. Para ele, eliminar a taxa poderia aumentar a desigualdade de concorrência entre empresas nacionais e estrangeiras.
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A posição contrasta com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recentemente classificou a medida como desnecessária. A divergência interna também aparece em outras áreas do governo. O ministro José Guimarães, por exemplo, já declarou ser favorável ao fim da cobrança, caso a decisão seja levada adiante.
O tema ganhou ainda mais repercussão após mobilização de setores empresariais. Representantes de dezenas de associações enviaram um documento ao governo criticando a possibilidade de revogação do imposto, classificando a medida como “eleitoreira” e alertando para possíveis impactos negativos no mercado de trabalho.
Criada com apoio do Congresso e do Ministério da Fazenda, a taxa surgiu em resposta à crescente entrada de produtos importados de baixo custo, principalmente de plataformas internacionais. A preocupação era conter o avanço dessas mercadorias e proteger a indústria nacional.
Os números mostram o peso da medida: apenas em janeiro deste ano, o imposto arrecadou cerca de R$ 425 milhões, um aumento significativo em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, a arrecadação chegou a R$ 5 bilhões, contribuindo para as metas fiscais do governo.
Ao mesmo tempo, o volume de compras internacionais também segue em alta, indicando que o consumo desse tipo de produto continua forte entre os brasileiros.
Diante desse cenário, o futuro da “taxa das blusinhas” ainda é incerto. O governo se vê dividido entre manter a arrecadação e proteger empregos ou atender às críticas e revisar a política. Por enquanto, a única certeza é que a decisão ainda está em aberto, e deve continuar no centro do debate público.