CentroesteNews
30/01/2026
Um movimento nacional convocou uma paralisação em diversos estados dos Estados Unidos em protesto contra operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE). A mobilização ganhou força após episódios recentes envolvendo mortes durante ações federais, especialmente em Minneapolis, no estado de Minnesota.
O chamado partiu da campanha “National Shutdown”, que defende a suspensão de atividades de trabalho, estudo e consumo como forma de pressionar o governo a rever as políticas de imigração. “A população das Cidades Gêmeas mostrou o caminho para o país inteiro. Para acabar com o reinado de terror do ICE, precisamos parar tudo”, afirma o site do movimento, em referência a Minneapolis e Saint Paul.
Na semana passada, milhares de pessoas protestaram em Minnesota após a morte de Renee Good, de 37 anos, mãe de três filhos, atingida por disparos de um agente do ICE. No dia seguinte às manifestações, o enfermeiro Alex Pretti, também de 37 anos, morreu durante outra operação federal na mesma cidade. Os casos intensificaram a mobilização nacional.
Organizadores da greve citam ainda outras mortes atribuídas a agentes do ICE nos últimos meses, incluindo Keith Porter Jr., morto em Los Angeles na virada do ano, e Silverio Villegas González, baleado em um subúrbio de Chicago em setembro passado.
O governo Trump sustenta que, em todos os episódios, os agentes agiram em legítima defesa. Ainda assim, as ocorrências provocaram críticas tanto de parlamentares democratas quanto republicanos e desencadearam protestos em várias regiões do país.
Entre na comunidade de WhatsApp do Centroeste News e receba notícias em tempo real
Segundo a campanha National Shutdown, vídeos das ações contradizem a versão oficial, alegando que as vítimas foram mortas enquanto exerciam o direito de protestar contra deportações em massa. Em sua rede Truth Social, o presidente Donald Trump afirmou que Alex Pretti era um “agitador” e questionou sua conduta, citando um vídeo em que ele aparece discutindo com agentes federais dias antes da morte.
A paralisação foi organizada por uma rede descentralizada de grupos com apoio em cidades como Minneapolis, Cleveland e Nova York. Entre os apoiadores estão entidades como a Defend Immigrant Families Campaign, o Council on American-Islamic Relations (CAIR), a Poor People’s Campaign da Carolina do Norte, o LA Tenants Union e grupos estudantis da Universidade de Minnesota. Movimentos nacionais, como o grupo feminista CodePink, também aderiram.
Artistas e celebridades passaram a divulgar a greve nas redes sociais. Entre eles estão Pedro Pascal, Hannah Einbinder, Edward Norton e Jamie Lee Curtis. Norton, durante o Festival de Cinema de Sundance, defendeu a ampliação do debate sobre uma possível “greve econômica nacional”.
Enquanto os protestos se espalham, democratas e a Casa Branca fecharam um acordo temporário para evitar uma paralisação parcial do governo federal. O entendimento prevê a separação do financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) do restante do orçamento, garantindo recursos por duas semanas enquanto seguem as negociações sobre possíveis restrições às operações do ICE.
O acordo ocorreu após democratas bloquearem um projeto que previa financiamento integral do DHS. Trump declarou nas redes sociais que republicanos e democratas “se uniram para manter a maior parte do governo financiado até setembro” e pediu apoio bipartidário à medida.
O cenário evidencia uma crescente tensão política e social nos Estados Unidos, com impactos que ultrapassam a questão migratória e alcançam o debate sobre direitos civis, segurança pública e equilíbrio institucional.