A chamada “taxa das blusinhas” garantiu ao governo federal arrecadação de R$ 8,2 bilhões desde agosto de 2024, quando passou a valer a cobrança de imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50.
A medida foi derrubada na noite desta terça-feira (13) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após forte desgaste político e críticas de consumidores.
Dados informados pela Receita Federal ao Metrópoles mostram que apenas entre janeiro e abril de 2026 o governo arrecadou R$ 1,856 bilhão com o tributo.
Arrecadação cresceu rapidamente
Segundo os números divulgados, a arrecadação ficou distribuída da seguinte forma:
- agosto a dezembro de 2024: R$ 1,679 bilhão;
- ano de 2025: R$ 4,719 bilhões;
- janeiro a abril de 2026: R$ 1,856 bilhão.
A cobrança passou a incidir sobre compras internacionais de até US$ 50 com alíquota de 20%.
Já para produtos acima desse valor, permaneceu a cobrança de 60%, com desconto de US$ 20 para mercadorias entre US$ 50,01 e US$ 3 mil.
Medida surgiu após programa Remessa Conforme
A “taxa das blusinhas” foi implementada como continuidade do programa Remessa Conforme, criado em 2023 para regularizar e antecipar a tributação de compras internacionais feitas em plataformas digitais.
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Com o novo modelo, empresas de comércio eletrônico passaram a recolher os tributos antecipadamente no momento da compra.
O governo defendia a medida afirmando que ela:
- combatia concorrência desleal;
- aumentava fiscalização;
- fortalecia varejistas nacionais;
- ampliava arrecadação tributária.
Popularidade e pressão política pesaram
Apesar do crescimento da arrecadação, a medida gerou forte reação negativa entre consumidores e usuários de plataformas internacionais de compras.
A cobrança passou a ser apelidada nas redes sociais de “taxa das blusinhas”, tornando-se alvo frequente de críticas ao governo federal.
Segundo levantamento da AtlasIntel:
- 62% dos brasileiros consideravam a medida um erro;
- apenas 30% avaliavam a cobrança como acerto.
O desgaste político aumentou a pressão interna dentro do governo para revisão da política tributária, especialmente em meio às articulações ligadas à campanha de reeleição de Lula.
Compras internacionais mudaram no Brasil
A tributação afetou diretamente consumidores que utilizavam plataformas internacionais de comércio eletrônico, principalmente sites asiáticos de baixo custo.
Após a implantação da taxa, muitos usuários relataram:
- aumento expressivo nos preços finais;
- queda nas compras internacionais;
- migração para varejo nacional;
- redução de importações de pequeno valor.