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Vaticano declara cisma e excomunga bispos da Fraternidade São Pio X após ordenações sem autorização do papa

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O Vaticano anunciou nesta quinta-feira (2) a excomunhão dos bispos ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX/SSPX), após a ordenação de quatro novos bispos sem autorização do papa. Em decreto publicado pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, a Santa Sé classificou a cerimônia como um “ato de natureza cismática”, marcando uma nova ruptura entre o grupo tradicionalista e a Igreja Católica.

Segundo o documento oficial, os bispos Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, responsáveis pela consagração dos novos religiosos, bem como os quatro bispos ordenados, incorreram automaticamente na excomunhão, conhecida no direito canônico como “latae sententiae”, aplicada quando determinada infração gera a penalidade de forma imediata, sem necessidade de um julgamento formal.

Vaticano considera grupo em situação de cisma

A Santa Sé afirmou que a nomeação dos novos bispos ocorreu sem mandato pontifício e contra a vontade expressa do papa, configurando um rompimento da comunhão eclesial.

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Além da excomunhão dos bispos envolvidos, o decreto declara que os ministros ordenados da Fraternidade administram os sacramentos de maneira ilícita. O Vaticano informou ainda que os sacramentos da confissão e do matrimônio celebrados por sacerdotes da fraternidade são considerados inválidos nas condições estabelecidas pelo decreto. Também advertiu que fiéis que aderirem formalmente ao grupo poderão ser considerados em situação de cisma.

Conflito histórico com Roma

Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X surgiu em oposição às reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II, especialmente mudanças na liturgia, como a celebração da missa em idiomas locais, e iniciativas de diálogo com outras religiões.

A relação entre o grupo e o Vaticano já havia enfrentado uma grave crise em 1988, quando Lefebvre ordenou bispos sem autorização papal, resultando em excomunhões posteriormente revogadas pelo papa Bento XVI em 2009, numa tentativa de aproximação. Apesar de alguns avanços no diálogo durante os pontificados seguintes, divergências doutrinárias permaneceram sem solução.

Nova ruptura

A decisão anunciada nesta quinta-feira representa um dos episódios mais significativos nas relações entre o Vaticano e a Fraternidade nas últimas décadas. O papa Leão XIV havia manifestado oposição às novas ordenações e buscado evitar o rompimento, mas a cerimônia foi realizada na Suíça, levando a Santa Sé a aplicar as sanções previstas pelo direito canônico.

O Vaticano reiterou que permanece aberto à reconciliação, desde que haja reconhecimento da autoridade do papa e aceitação dos ensinamentos oficiais da Igreja Católica.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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