A manhã desta quinta-feira trouxe um novo desdobramento para uma das investigações mais complexas do Rio de Janeiro, com a prisão do pastor e empresário Márcio Poncio pela Polícia Federal. Conhecido por sua forte presença nas redes sociais e por liderar a Igreja da Nuvem, Poncio foi detido em um flat na Barra da Tijuca durante a quinta fase da Operação Unha e Carne.
A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, coloca o influenciador no centro de um esquema que apura conexões profundas entre a chamada Máfia do Cigarro e agentes públicos, revelando uma rede de influência que vai muito além dos púlpitos e das telas dos celulares.
Além do pastor, a operação também mirou figuras já conhecidas da justiça, como o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado Rodrigo Bacellar, que já se encontravam encarcerados. O foco desta etapa é desvendar como o lucro proveniente do jogo do bicho e da venda ilegal de cigarros era utilizado para abastecer uma engrenagem de corrupção envolvendo integrantes dos poderes Executivo e Legislativo fluminenses.
Para os investigadores, a estrutura liderada por Adilsinho funcionava como um verdadeiro monopólio criminoso, utilizando planilhas detalhadas para registrar supostos pagamentos indevidos e doações eleitorais, o que levanta suspeitas sobre o envolvimento de dezenas de parlamentares que receberiam mesadas mensais.
O impacto da operação também atingiu o círculo familiar de outros nomes influentes, como Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, que foi alvo de mandados de busca e apreensão. Em sua defesa, Marco Antônio negou categoricamente qualquer participação em atividades ilícitas e se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
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Enquanto isso, o cenário descrito pela Polícia Federal revela um sistema de lavagem de dinheiro bilionário, onde a falsificação de cigarros em fábricas locais e o controle territorial imposto pela máfia geram cifras que desafiam a economia do estado, com sonegações que ultrapassam os bilhões de reais.
A prisão de Márcio Poncio, pai de figuras públicas como Sarah e Saulo Poncio, adiciona uma camada de repercussão social a um caso que já era tratado com extrema gravidade pelo STF. A investigação se insere em um esforço maior para desarticular grupos criminosos violentos e suas ramificações institucionais, conforme as diretrizes da ADPF das Favelas.
Com o sequestro de bens que pode chegar a 22 milhões de reais, a justiça tenta asfixiar financeiramente uma organização que, segundo relatos de ministros do Supremo, teria mantido uma rede de proteção institucional para influenciar o destino político do Rio de Janeiro por anos.