Brasília ganhou um novo espaço voltado à educação ambiental, à sustentabilidade e à valorização da biodiversidade brasileira. O Sesi Lab inaugurou o Cultiva Lab, um laboratório vivo de agroecologia instalado na área externa do museu, com mais de 6 mil metros quadrados destinados à integração entre natureza, ciência, arte e inovação.
O projeto foi concebido para aproximar o público dos princípios da agricultura regenerativa e dos ecossistemas brasileiros, reunindo fragmentos representativos da Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica em um ambiente aberto à visitação, pesquisas científicas e atividades educativas.
Ao todo, foram plantadas 340 mudas de cerca de 90 espécies nativas, distribuídas de forma semelhante à organização natural dos biomas, incluindo áreas de transição que reproduzem as interações existentes na natureza. Entre as espécies cultivadas estão árvores emblemáticas como a sumaúma, o açaizeiro e o guaranazeiro, representando a Amazônia; o ipê e o pequizeiro, característicos do Cerrado; diferentes espécies de cactos, típicas da Caatinga; e o histórico pau-brasil, símbolo da Mata Atlântica.
Produção de alimentos e impacto social
Além da recuperação ambiental e da demonstração da diversidade vegetal brasileira, o Cultiva Lab integra árvores nativas com culturas agrícolas de ciclo curto, formando um sistema agroflorestal capaz de produzir alimentos de forma sustentável.
Entre as culturas cultivadas estão milho, mandioca, abóbora, hortaliças e ervas medicinais, permitindo que diferentes espécies compartilhem o mesmo espaço e contribuam para a melhoria do solo, o equilíbrio ecológico e o aumento da biodiversidade.
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A expectativa é que, nos dois primeiros anos de funcionamento, o espaço produza entre 3 e 5 toneladas de alimentos, que serão destinadas inicialmente a dez instituições sociais por ano, fortalecendo iniciativas de segurança alimentar e inclusão social.
Agricultura regenerativa como ferramenta de educação
Mais do que um jardim temático, o Cultiva Lab foi planejado para demonstrar, na prática, os benefícios da agricultura regenerativa, modelo que busca restaurar os ecossistemas por meio do manejo sustentável do solo, da preservação da biodiversidade e do uso racional dos recursos naturais.
O projeto evidencia como elementos como matéria orgânica, cobertura vegetal, diversidade de espécies e equilíbrio do microclima atuam em conjunto para recuperar áreas degradadas, aumentar a fertilidade do solo e reduzir impactos ambientais.
A proposta também amplia o papel dos espaços urbanos na promoção da educação ambiental, permitindo que estudantes, pesquisadores e visitantes compreendam de forma prática o funcionamento dos ecossistemas brasileiros e a importância da conservação dos biomas.
Aproximando cidade e natureza
Iniciativas como o Cultiva Lab mostram que a agroecologia pode ultrapassar os limites do campo e ocupar também os centros urbanos, transformando áreas públicas em ambientes de aprendizado, produção sustentável e conscientização ambiental.
Ao reunir ciência, cultura, alimentação saudável e preservação da biodiversidade em um único espaço, o projeto contribui para estimular práticas mais sustentáveis e reforça a importância da convivência harmoniosa entre desenvolvimento urbano e conservação da natureza.