A tensão no Oriente Médio atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (2), após o Irã responder de forma contundente às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O líder americano afirmou que pretende intensificar os bombardeios contra o território iraniano nas próximas semanas, caso Teerã não aceite um acordo para encerrar a guerra, conflito que já se arrasta há mais de um mês e tem repercussões globais.
Segundo Trump, a ofensiva militar pode levar o país persa a “voltar à Idade da Pedra”, uma frase que provocou forte reação do governo iraniano e ampliou a preocupação internacional quanto ao risco de uma escalada sem precedentes.
Irã promete resposta “mais devastadora”
Minutos após o discurso de Trump, o comando militar iraniano, Khatam al-Anbiya, divulgou um comunicado transmitido pela TV estatal prometendo contra-ataques “devastadores, amplos e destrutivos”.
Mesmo após perder importantes figuras políticas e militares (incluindo o antigo líder supremo Ali Khamenei, substituído por seu filho Mojtaba Khamenei) o regime reforçou que não recuará. O Ministério da Saúde do Irã também confirmou danos significativos ao Instituto Pasteur, em Teerã, após novos ataques.
Além das declarações, o Irã manteve o lançamento de projéteis contra Israel, que relatou feridos na região de Tel Aviv. A população israelense tem sido obrigada a celebrar a Páscoa judaica em abrigos subterrâneos diante da constante ameaça.
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Trump fala em acordo, mas reforça pressão
Embora tenha mencionado a possibilidade de um acordo de cessar-fogo, Trump afirmou que, sem avanços, os EUA podem mirar infraestruturas estratégicas iranianas, incluindo usinas elétricas.
O republicano também alegou que os “novos dirigentes” iranianos seriam mais abertos ao diálogo, mas Teerã nega qualquer negociação direta.
Mensagens teriam sido trocadas por meio de intermediários, como o Paquistão, mas o Ministério das Relações Exteriores iraniano classificou as exigências de Washington como “irracionais”.
Conflito espalha-se pela região
O Hezbollah, aliado do Irã no Líbano, intensificou lançamentos de foguetes e drones contra o norte de Israel. As autoridades libanesas afirmam que mais de 1.300 pessoas morreram desde o início das ofensivas.
Nos países do Golfo, tradicionalmente vistos como zonas de relativa estabilidade, a guerra já afeta diretamente rotas energéticas e estruturas de defesa, ampliando o temor de uma expansão regional.
Uma das maiores preocupações globais é o bloqueio no Estreito de Ormuz — por onde antes passava cerca de 20% do petróleo mundial. O Irã afirma que manterá o canal fechado a navios considerados “inimigos”, enquanto os EUA condicionam qualquer cessar-fogo à sua reabertura.
Impacto global: petróleo dispara e mercados recuam
A instabilidade ampliou as tensões nos mercados internacionais. Os preços do petróleo Brent e WTI subiram mais de 6% em um único dia, elevando o alerta sobre inflação mundial.
Instituições financeiras internacionais alertam que a guerra já afeta empregos, cadeias de abastecimento e segurança alimentar. O Banco Mundial declarou estar “extremamente preocupado” com o impacto prolongado do conflito.
Cenário internacional em busca de solução
Além de EUA e Irã, potências globais como China e Reino Unido também se movimentam diplomaticamente. Pequim responsabilizou os ataques americanos pelo agravamento da crise e pediu cessar-fogo imediato. Já Londres sediará uma reunião emergencial com mais de 30 países para discutir a segurança marítima em Ormuz.
Mesmo com tentativas diplomáticas, o cenário permanece volátil, e a promessa iraniana de “resistir até o fim” reforça o temor de que o conflito possa se prolongar por meses — ou mesmo gerar novos desdobramentos geopolíticos.