Um estudo do Climate Impact Lab, iniciativa de pesquisa ligada à Universidade de Chicago, estima que o aumento das temperaturas associado ao fenômeno El Niño poderá provocar aproximadamente 857,4 mil mortes adicionais em todo o mundo entre junho de 2026 e março de 2027. Desse total, cerca de 372,9 mil óbitos são projetados apenas para os próximos seis meses do período analisado.
No Brasil, a estimativa é de 26,7 mil mortes adicionais ao longo dos dez meses considerados. Com esse número, o país aparece na sexta posição entre os que apresentam as maiores projeções de mortalidade relacionada ao calor.
O levantamento aponta que os maiores números estimados estão na Índia, com 160 mil mortes, seguida pela China, com 85,4 mil, Nigéria, com 69,7 mil, Sudão, com 53,2 mil, e Indonésia, com 49,5 mil.
O levantamento considera tanto os impactos já observados quanto as projeções para os meses seguintes. Os pesquisadores utilizam dados de temperatura e estimativas de mortalidade para calcular quantas mortes relacionadas ao calor podem ocorrer acima do esperado em condições climáticas habituais. Portanto, os números não representam óbitos confirmados nem significam que todas essas mortes serão diretamente causadas pelo fenômeno.
Calor extremo aumenta preocupação com a saúde
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta.
No Brasil, os efeitos podem variar conforme a região, com períodos de calor intenso, estiagens e alterações no regime de chuvas. As temperaturas elevadas também aumentam os riscos de desidratação e complicações de saúde, especialmente entre idosos, crianças e pessoas mais vulneráveis.
Os pesquisadores destacam que as projeções podem ajudar governos e autoridades de saúde a antecipar medidas de prevenção, ampliar o atendimento à população e preparar estruturas para enfrentar períodos prolongados de calor.