CentroesteNews
19/01/2026
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) promoveu, na terça-feira (18), o Fórum Comércio Exterior – Desafios e Oportunidades, reunindo especialistas, dirigentes empresariais e representantes do setor produtivo para discutir os principais entraves e perspectivas do comércio brasileiro em um cenário de forte pressão econômica. O evento foi transmitido gratuitamente pelo canal CNC Play, no YouTube.
O debate ocorreu em um momento considerado estratégico (e delicado) para o varejo e o setor de serviços. Além dos juros em patamares elevados e do recorde de inadimplência, empresários enfrentam o avanço da competição desleal de produtos importados, muitas vezes beneficiados por distorções tributárias e logísticas que pressionam a indústria e o comércio nacionais.
Entre os temas centrais do fórum esteve o chamado “tarifaço” dos Estados Unidos, que, segundo projeções de mercado apresentadas durante o evento, pode gerar impactos relevantes na economia brasileira. As estimativas apontam para uma possível redução de 0,2% do PIB do Brasil e uma retração de 2,1% no comércio mundial, com perdas entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões nas exportações brasileiras. Especialistas alertaram que o efeito pode ser indireto, mas significativo, ao afetar cadeias globais de valor e a demanda internacional.
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Outro ponto de destaque foi a implementação do Tax Free, mecanismo que devolve impostos a turistas estrangeiros na compra de produtos no país. Sancionado em janeiro de 2025 e já operacional no Rio de Janeiro desde setembro do mesmo ano, o modelo é visto como uma tentativa de alinhar o Brasil a práticas adotadas por países vizinhos e ampliar a competitividade do turismo de compras. Segundo os debatedores, a medida pode estimular o consumo, gerar empregos e fortalecer o comércio local, desde que acompanhada de regulamentação eficiente e ampla adesão dos estados.
Na abertura do evento, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac ressaltou a relevância do debate diante das transformações no comércio global. Em mensagem aos participantes, destacou que o setor vive um período de mudanças estruturais, em que decisões de política econômica e tributária têm impacto direto sobre empresas e trabalhadores. Segundo ele, a CNC tem atuado de forma firme na defesa da isonomia tributária e da competitividade do comércio brasileiro, consideradas essenciais para preservar empregos, estimular investimentos e proteger a soberania econômica do país.
O fórum reforçou a avaliação de que, em um ambiente internacional cada vez mais protecionista e instável, o Brasil precisa combinar diplomacia comercial, reformas internas e políticas de estímulo ao setor produtivo para reduzir vulnerabilidades e ampliar oportunidades no comércio exterior.




