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Um zoológico privado da Índia iniciou negociações com autoridades brasileiras para estabelecer uma parceria voltada à conservação de espécies ameaçadas de extinção. Entre os principais objetivos da proposta está a participação no programa de reprodução e reintrodução da ararinha-azul, ave endêmica do Brasil e considerada extinta na natureza.

Documentos obtidos pela Mongabay indicam que as conversas começaram em agosto de 2025 e envolveram representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Ministério do Meio Ambiente e do Ministério das Relações Exteriores. Uma reunião entre autoridades brasileiras e representantes do Vantara ocorreu em outubro daquele ano.

O zoológico mantém 26 ararinhas-azuis que recebeu em 2023 da organização alemã Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP). Segundo informações levantadas pela reportagem, a transferência ocorreu sem o consentimento do governo brasileiro e contribuiu para o rompimento da parceria entre o Brasil e a entidade alemã responsável pelas aves.

Posteriormente, o Vantara apresentou uma proposta de cooperação que prevê apoio à reprodução em cativeiro, assistência veterinária, infraestrutura e manejo dos animais. A instituição também manifestou disposição para disponibilizar as aves para futuras ações de reintrodução no habitat natural brasileiro, sob coordenação conjunta com as autoridades responsáveis.

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Em março de 2026, o zoológico enviou ao ICMBio informações sobre as ararinhas-azuis mantidas na Índia, incluindo dados de identificação, sexo, ano de nascimento e condições de saúde. A documentação pode contribuir para a avaliação técnica de uma eventual colaboração.

A proposta, entretanto, envolve questões que exigem atenção. O Vantara já foi alvo de questionamentos internacionais sobre a origem de animais mantidos em suas instalações. Uma inspeção relacionada à Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES) identificou discrepâncias em registros de importação e exportação. Por outro lado, uma investigação da Suprema Corte da Índia não encontrou irregularidades nas aquisições de animais examinadas.

No Brasil, também há investigação da Polícia Federal relacionada ao tráfico internacional de espécies ameaçadas que apura pessoas supostamente ligadas ao zoológico. O Vantara nega irregularidades.

Especialistas em conservação defendem que qualquer parceria seja avaliada com rigor, considerando a transparência dos procedimentos, a origem legal dos animais, as condições sanitárias e os critérios científicos para reprodução e reintrodução. A preocupação é garantir que eventuais decisões priorizem a recuperação da espécie em seu habitat natural.

A ararinha-azul é alvo de um programa de manejo populacional coordenado pelo ICMBio, que busca ampliar a população em cativeiro e garantir condições para o retorno sustentável das aves à natureza. Em 2022, um grupo de 20 indivíduos foi reintroduzido na Bahia, mas as aves precisaram ser recapturadas em novembro de 2025 após um surto de circovírus, doença que afeta diferentes espécies de psitacídeos.

Até o momento, não há acordo definitivo firmado entre o governo brasileiro e o Vantara. A possível participação do zoológico no programa de conservação continua em discussão e depende de avaliação pelas autoridades competentes.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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