As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 12,2% no acumulado de 2026 até julho, totalizando cerca de US$ 21 bilhões. O resultado representa uma redução de aproximadamente US$ 2,9 bilhões em comparação com o mesmo período de 2025 e coloca as vendas para o mercado norte-americano no menor nível para o período em três anos.
Os dados fazem parte do Monitor do Comércio Brasil–Estados Unidos, elaborado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) com base em informações oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Mesmo com a queda, os Estados Unidos continuam como o segundo principal destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.
O desempenho contrasta com o resultado geral do comércio exterior brasileiro. Entre janeiro e julho de 2026, as exportações totais do país cresceram 10,5%, indicando que parte das vendas brasileiras está sendo direcionada para outros mercados.
A retração nas exportações para os Estados Unidos também está relacionada ao desempenho de produtos importantes na pauta comercial. Entre os dez principais itens enviados ao país, as vendas de petróleo recuaram 25,5%.
Também houve redução nas exportações de semimanufaturados de ferro ou aço, ferro-gusa e celulose. Em alguns desses segmentos, entretanto, as vendas para outros países cresceram no mesmo período, reforçando a possibilidade de redirecionamento dos produtos brasileiros para diferentes mercados.
Outro fator apontado pelo levantamento é o impacto das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos. Produtos submetidos a sobretaxas mais elevadas registraram quedas ainda mais expressivas, superiores a 30% no acumulado do ano.
O cenário indica uma mudança na relação comercial entre os dois países, com redução das vendas brasileiras para o mercado norte-americano enquanto as exportações totais do Brasil continuam crescendo.