Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, afirmou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) recusou ajuda do governo federal para a segurança pública paulista. O petista defendeu a criação de uma estrutura que reúna autoridades estaduais e federais no enfrentamento ao crime.
Em sabatina na CNN Brasil, Haddad argumentou que representantes dos principais órgãos responsáveis pelo combate à criminalidade deveriam atuar de forma coordenada. Segundo ele, um gabinete criado pelo governo paulista poderia contar, inclusive, com a participação da Polícia Federal.
“Se nós quisermos levar a segurança pública a sério, precisamos colocar na mesma mesa as maiores autoridades dos órgãos de combate ao crime. Eu duvido que qualquer que seja o presidente, deixe de indicar um membro da PF em SP para não participar de um gabinete criado pelo governador. O que tem acontecido são os governadores de extrema direita recusarem o apoio federal”, disse Haddad.
Questionado sobre o comando da Secretaria de Segurança Pública, Haddad criticou a escolha de Guilherme Derrite (PP), deputado e ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo, para a pasta. O candidato afirmou que não pretende repetir o que classificou como um erro cometido por Tarcísio e relacionou as nomeações feitas durante a atual gestão à saída de oficiais experientes da corporação.
“Não vou repetir o erro do Tarcísio. Ao convidar um capitão para assumir a segurança pública, desarrumando a casa. Ele nomeou coronéis que acabaram fazendo com que vários coronéis experientes se aposentassem, fossem para a reserva. Nós perdemos a inteligência por conta das nomeações que foi um dos pecados que esse governo cometeu. Ele baratinou a hierarquia da PM, uma desvantagem muito grande pra cadeia de comando, nós perdemos muito a cadeia de comando”, afirmou.
A crítica de Haddad concentra-se especialmente nos efeitos que, segundo ele, as nomeações tiveram sobre a hierarquia e a experiência acumulada dentro da Polícia Militar paulista. “Nós perdemos a inteligência por conta das nomeações que foi um dos pecados que esse governo cometeu”, declarou.
O petista também afirmou que a reorganização promovida na PM levou coronéis experientes à aposentadoria ou à reserva, comprometendo, em sua avaliação, a estrutura hierárquica da polícia.
Outra medida apresentada por Haddad é a abertura dos dados da segurança pública para acompanhamento e auditoria pela sociedade civil.
O candidato citou como exemplo a falta de informações públicas sobre celulares roubados e defendeu maior transparência na divulgação dos indicadores relacionados à criminalidade. Haddad também mencionou a possibilidade de permitir o registro de boletins de ocorrência pelo WhatsApp.