Durigan destacou que o risco-país brasileiro é significativamente menor que o argentino, assim como a dívida pública e a inflação estão em patamares mais baixos. Enquanto isso, o Brasil registra mínimas históricas de desemprego, recordes na balança comercial e safra expressiva. “O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta”, declarou.
A fala do ministro ocorre em um momento de contrastes econômicos entre os dois países. De um lado, a Argentina de Milei avançou com um rígido plano de austeridade que reduziu a inflação de três dígitos para 31,5% ao ano e gerou um crescimento de 4,4% do PIB em 2025. Do outro, o Brasil cresceu 2,3% no ano passado, com inflação de 4,26%, mas enfrenta juros altos que pressionam a economia. O Banco Mundial, em relatório recente, apontou que a Argentina “se destaca” na região com seu ajuste fiscal, enquanto o Brasil sofre com condições financeiras restritivas e perda de dinamismo.
Durigan, no entanto, afastou qualquer cenário de recessão para 2027 e manteve a projeção de crescimento de 2% para o próximo ano. Reconheceu que os juros altos incomodam e afetam agricultores, famílias e empresas, mas defendeu o arcabouço fiscal e a necessidade de reduzir gastos obrigatórios como caminho para a queda da taxa de juros. “Não estou dizendo que está tudo resolvido”, ponderou, mas classificou como exagero quem fala em recessão.
A troca de farpas entre o governo brasileiro e Milei não é isolada. O presidente argentino esteve no Brasil para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro e, durante seu discurso, chamou o ministro do STF Alexandre de Moraes de “lixo careca” e se referiu a Lula como “presidiário”. A vinda ocorre em meio à baixa popularidade de Milei em seu próprio país, agravada por um escândalo recente de corrupção em seu governo e pelas dificuldades econômicas que ainda persistem na Argentina.