Em três anos e meio de mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu integralmente 26 dos 36 compromissos que assumiu durante a campanha eleitoral de 2022, de acordo com levantamento do g1. Quatro promessas foram parcialmente atendidas e seis seguem sem solução até agora.
O balanço faz parte do projeto Promessas dos Políticos, que acompanha a entrega de compromissos de candidatos a cargos do Executivo em todo o país, e considera o período de janeiro de 2023 a junho de 2026.
Entre as entregas mais emblemáticas estão a aprovação da reforma tributária, que substituiu cinco tributos por um modelo baseado em CBS e IBS com sistema de cashback para famílias de baixa renda, e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, aprovada pelo Congresso em novembro de 2025.
Na economia, o governo também retomou a política de valorização do salário mínimo acima da inflação, que hoje está em R$ 1.621, e o programa Desenrola Brasil, que permitiu a renegociação de R$ 53,2 bilhões em dívidas e tirou mais de 15 milhões de pessoas da inadimplência. O Bolsa Família manteve o piso de R$ 600 com adicional de R$ 150 por filho pequeno, promessa cumprida, e o Brasil voltou a ficar fora do Mapa da Fome em 2025, conforme relatório da ONU.
Na área social, foram recriados ministérios extintos na gestão anterior — Previdência, Pesca, Cultura e o inédito Ministério dos Povos Originários, comandado por Sonia Guajajara. O Farmácia Popular foi ampliado e hoje atende 27 milhões de pessoas com 41 medicamentos e produtos gratuitos, incluindo absorventes e fraldas geriátricas.
O programa Minha Casa, Minha Vida foi relançado com novas faixas de renda e o Mais Médicos saltou de 13 mil para mais de 27 mil profissionais ativos. Na educação, a verba da merenda escolar foi reajustada em até 39% após cinco anos sem correção, e o número de matrículas no ensino superior cresceu 8%, ultrapassando 10 milhões.
Mas nem tudo saiu como planejado. A promessa mais emblemática entre as não cumpridas é a recriação do Ministério da Segurança Pública, que existiu no governo Temer e até hoje não saiu do papel. Lula condiciona a pasta à aprovação da PEC da Segurança, que está parada no Senado sem perspectiva de votação.
Também ficaram pendentes a universalização da banda larga em escolas — que chegou a 72,9% das unidades, mas não aos 100% prometidos —, o fim das filas de consultas e cirurgias acumuladas na pandemia, a nova legislação trabalhista para motoristas de aplicativo e a universalização plena do acesso à luz e água. Além disso, Lula não cumpriu a promessa feita em 2022 de não se candidatar a um segundo mandato — ele será candidato mais uma vez neste ano, com Geraldo Alckmin de vice.
No campo da transparência, o governo revogou sigilos de até 100 anos impostos pela gestão anterior, mas impôs novos selos de confidencialidade a informações como a agenda da primeira-dama e comunicações diplomáticas, gerando críticas de organizações de controle.
O chamado orçamento secreto foi extinto pelo STF antes mesmo da posse, mas o Congresso encontrou maneiras de manter a pouca transparência na distribuição de recursos públicos por meio das emendas de comissão, um problema que o governo ainda não conseguiu resolver. Com a campanha pela reeleição já em curso, o saldo de promessas cumpridas e não cumpridas deve pesar na avaliação do eleitorado nas urnas em outubro.