Grandes empresas norte-americanas se posicionaram contra a tarifa de 25% que o governo dos Estados Unidos pretende aplicar sobre produtos importados do Brasil. Coca-Cola, Tesla e eBay enviaram manifestações ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) solicitando exceções à medida, alegando impactos econômicos e produtivos para seus negócios.
A proposta de taxação foi anunciada em junho com base na Seção 301 da legislação comercial americana, mecanismo que permite a imposição de tarifas a países considerados prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos. O governo do presidente Donald Trump justificou a medida citando questões relacionadas ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, tarifas consideradas injustas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
O prazo para que empresas e entidades apresentassem suas manifestações ao USTR foi encerrado em 1º de julho. Durante esse período, companhias de diferentes setores defenderam a exclusão de determinados produtos da lista de tarifas.
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A Coca-Cola solicitou que os insumos brasileiros derivados de laranja e limão sejam poupados da taxação. Segundo a empresa, a produção de laranja nos Estados Unidos sofreu uma queda acentuada nas últimas décadas. Enquanto a safra da Flórida alcançou 242 milhões de caixas em 2003/2004, a previsão para 2025/2026 é de apenas 12 milhões. A companhia argumenta que substituir rapidamente o fornecimento brasileiro seria inviável e elevaria significativamente os custos de produção.
A Tesla também se manifestou favoravelmente à reindustrialização da economia americana, mas destacou que esse processo exige tempo. Por isso, pediu que componentes e peças importados do Brasil fiquem isentos da nova tarifa para evitar impactos na cadeia de produção da montadora.
Já o eBay defendeu a exclusão de produtos usados e seminovos. A empresa argumenta que a cobrança sobre itens revendidos não afeta os fabricantes originais, mas acaba penalizando consumidores e pequenos vendedores que utilizam a plataforma para comercialização desses produtos.
As manifestações das empresas deverão ser analisadas pelo governo americano antes da definição final sobre a aplicação das tarifas e das possíveis exceções para determinados produtos e setores.