Um levantamento sobre as aquisições realizadas pela Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá em 2025 aponta que a decisão da gestão do prefeito Abilio Brunini de não utilizar as atas de preços do Consórcio Intermunicipal de Saúde Vale do Rio Cuiabá (Cirvasc) resultou em gastos significativamente maiores na compra de medicamentos e insumos.
De acordo com a análise divulgada pelo jornal A Gazeta, a Prefeitura optou por realizar processos próprios de aquisição, incluindo licitações, compras diretas e contratações indenizatórias, em vez de aderir às Atas de Registro de Preços disponibilizadas pelo consórcio. O resultado teria sido um aumento expressivo nos custos de diversos produtos utilizados na rede pública de saúde.
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Os dados mostram que, em uma amostra de 55 medicamentos analisados, o município desembolsou cerca de R$ 9,75 milhões. Caso tivesse utilizado os preços registrados pelo Cirvasc, o custo estimado seria de aproximadamente R$ 8,34 milhões. A diferença supera R$ 1,4 milhão, representando um acréscimo médio de 22,1% sobre os valores praticados pelo consórcio.
Entre os itens avaliados, 43 medicamentos apresentaram preços superiores aos registrados nas atas do Cirvasc. Em 13 deles, a diferença ultrapassou 50%, chegando a casos em que os valores pagos pela administração municipal ficaram até 75,7% acima dos preços disponíveis por meio do sistema consorciado.
Outro ponto destacado pelo levantamento é que várias das empresas contratadas diretamente pela Prefeitura eram as mesmas fornecedoras que possuíam contratos vigentes com o próprio consórcio. Segundo a análise, a principal diferença observada não estava nos fornecedores, mas nos preços pagos pelos produtos.
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Os maiores impactos financeiros foram registrados em medicamentos considerados estratégicos para hospitais, unidades de pronto atendimento e tratamentos de alta complexidade. Entre eles estão antibióticos utilizados em infecções graves e medicamentos empregados em internações hospitalares, prevenção de tromboses e tratamento de pacientes em estado crítico.
O estudo também avaliou compras indenizatórias realizadas pela Secretaria Municipal de Saúde. Em uma amostra de 26 itens, foram gastos cerca de R$ 470 mil em produtos que poderiam ter sido adquiridos por aproximadamente R$ 290 mil por meio das atas do consórcio. A diferença ultrapassa R$ 180 mil, representando um acréscimo superior a 62%.
Embora os números não indiquem, por si só, a existência de irregularidades, especialistas em gestão pública apontam que os resultados levantam questionamentos sobre critérios de economicidade, planejamento de compras, pesquisa de preços e eficiência na aplicação dos recursos públicos.
A situação também chamou a atenção dos órgãos de controle. O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Sérgio Ricardo, afirmou que a Corte pretende aprofundar a análise sobre a saída de Cuiabá do consórcio. Segundo ele, a diferença de preços identificada entre as compras realizadas dentro e fora do sistema consorciado justifica uma investigação mais detalhada.
Até o momento, a Prefeitura de Cuiabá não havia se manifestado oficialmente sobre os apontamentos apresentados no levantamento.