Mesmo com a redução do desmatamento em nível nacional, Mato Grosso continua entre os estados que mais registram perda de vegetação nativa no país. Os dados fazem parte do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), divulgado pelo MapBiomas Alerta, que aponta o estado entre os principais responsáveis pela supressão de áreas naturais ao longo do último ano.
Segundo o levantamento, Mato Grosso integrou o grupo formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, responsável por mais de 63% de toda a área desmatada registrada no Brasil em 2025. O resultado mantém o estado entre os principais focos de preocupação ambiental do país, mesmo diante de uma tendência nacional de redução da derrubada da vegetação.
Queda nacional não altera cenário em estados líderes
O relatório mostra que o Brasil perdeu cerca de 984,8 mil hectares de vegetação nativa em 2025, uma redução de 20,6% em comparação com o ano anterior. Apesar da melhora dos indicadores nacionais, algumas regiões continuam concentrando grande parte das ocorrências de desmatamento.
Nos últimos anos, Mato Grosso tem aparecido de forma recorrente entre os estados com maiores índices de supressão vegetal. Em 2024, por exemplo, o estado ocupava a sexta posição no ranking nacional.
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Especialistas apontam que a localização estratégica de Mato Grosso, abrangendo áreas dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, torna o monitoramento ambiental ainda mais complexo, devido à intensa atividade econômica desenvolvida nessas regiões.
Agropecuária continua sendo principal vetor
De acordo com o estudo, a expansão agropecuária esteve associada a 99% da área desmatada no Brasil em 2025. Considerando os últimos sete anos, a atividade responde por mais de 97% da perda de vegetação nativa registrada no território nacional.
O avanço das áreas destinadas à produção agrícola e pecuária continua sendo apontado como o principal fator de pressão sobre os ecossistemas brasileiros, especialmente em estados com forte vocação para o agronegócio.
Mato Grosso é atualmente um dos maiores produtores de grãos e proteína animal do país, liderando a produção nacional de soja, milho e algodão, além de possuir um dos maiores rebanhos bovinos do Brasil.
Desafio entre produção e conservação
O resultado reforça o debate sobre a necessidade de conciliar crescimento econômico e preservação ambiental. Organizações ambientais defendem o fortalecimento da fiscalização e o incentivo à produção sustentável, enquanto representantes do setor produtivo destacam avanços tecnológicos que permitem aumentar a produtividade sem necessidade de abertura de novas áreas.
A discussão ganha relevância internacional diante da crescente exigência dos mercados consumidores por produtos associados a práticas sustentáveis e livres de desmatamento ilegal.
Cobrança por respostas
Após a divulgação do relatório, veículos de imprensa buscaram posicionamento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso sobre os dados apresentados. Até o fechamento das reportagens, não havia sido divulgada manifestação oficial sobre os números.
Enquanto isso, especialistas alertam que a redução consistente do desmatamento dependerá da combinação entre fiscalização, regularização fundiária, planejamento territorial e incentivo à produção sustentável.