O vereador Marco Aurélio Bento Pena (MDB), conhecido como Marco Aurélio Bombeiro, foi preso na noite de domingo (25), em General Carneiro, a cerca de 440 quilômetros de Cuiabá, após ser acusado de efetuar disparos de arma de fogo na direção de pessoas que comemoravam a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo informações registradas pela Polícia Militar, duas mulheres foram apontadas como vítimas da ocorrência. Uma delas, de 24 anos, afirmou ter sido atingida de raspão no braço direito. Ela não precisou ser encaminhada para atendimento médico. A segunda vítima tem 20 anos, mas o boletim de ocorrência não informa se ela sofreu ferimentos.
A ocorrência foi registrada por volta das 22h, depois que a PM recebeu informações de que um homem estaria efetuando disparos da janela de uma residência em direção a pessoas que estavam reunidas em uma lanchonete conhecida como Bob Esponja.
Marco Aurélio é bombeiro militar da reserva e vereador do município. Conforme o relato policial, os militares foram até o endereço indicado e iniciaram uma negociação para que ele deixasse o imóvel. O parlamentar permaneceu dentro da residência durante aproximadamente 50 minutos, até concordar em se entregar.
Após sair da casa, Marco Aurélio foi abordado e recebeu voz de prisão. Os policiais também registraram um arranhão na parte frontal da coxa direita do vereador. Ele foi algemado e levado para a unidade da Polícia Militar.
Durante a ocorrência, os agentes apreenderam a arma que teria sido utilizada nos disparos, além de outras duas armas de fogo encontradas na residência. Também foram localizados chumbinhos de calibre 5,5 milímetros. Segundo a PM, a entrada no imóvel e a localização dos materiais foram acompanhadas por uma testemunha que trabalha para o vereador.
Já na unidade policial, o parlamentar teria demonstrado preocupação com a possibilidade de ter atingido alguém. Aos policiais, confirmou que havia realizado disparos, mas afirmou não saber qual das armas teria utilizado.
A situação chegou a exigir uma preocupação adicional com a segurança do próprio vereador. Conforme o boletim, havia pessoas do lado de fora que ameaçavam avançar contra ele. Por esse motivo, os policiais o colocaram no compartimento destinado ao transporte de presos da viatura, com o objetivo de preservar sua integridade física e impedir uma possível agressão.
Após a conclusão do registro inicial, Marco Aurélio e as armas apreendidas foram encaminhados para a Polícia Civil. Ele foi autuado por posse irregular de arma de fogo de uso permitido, lesão corporal e disparo de arma de fogo.
A investigação deverá esclarecer, entre outros pontos, a dinâmica dos disparos, a distância e direção em que os tiros foram efetuados, quais armas foram utilizadas e as circunstâncias que levaram à ocorrência. Também deverá ser apurado se houve intenção de atingir as pessoas que estavam na lanchonete.
O caso ocorreu poucas horas depois da confirmação da vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais. A motivação política apontada na ocorrência, entretanto, deverá ser analisada pelas autoridades responsáveis pela investigação, com base nos depoimentos, perícias e demais elementos reunidos no procedimento.
A Polícia Civil continua investigando o caso.