A derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 vai interromper, pela primeira vez em 24 anos, a trajetória de Flávio Bolsonaro (PL) em cargos eletivos. O senador, que disputou a Presidência após quatro mandatos como deputado estadual no Rio de Janeiro, permanecerá no Senado até 31 de janeiro de 2027, quando termina seu mandato. A partir de fevereiro, ficará sem cargo eletivo. (Poder360)
Flávio recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21% dos votos válidos, enquanto Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79%. A diferença entre os dois candidatos ficou em aproximadamente 4,4 milhões de votos. No primeiro turno, porém, Flávio havia terminado na liderança, com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula. (Congresso em Foco)
A escolha de disputar o Palácio do Planalto teve uma consequência direta para a carreira política do senador: Flávio não concorreu à renovação de sua cadeira no Senado. Com a derrota presidencial, ele não terá outro mandato para assumir em 2027.
A trajetória política começou em 2002, quando Flávio foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro aos 21 anos. Ele assumiu o primeiro mandato em 2003 e foi reeleito em 2006, 2010 e 2014. Em 2018, deixou a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e foi eleito senador pelo estado, cargo que ocupa até o fim de janeiro de 2027. (Poder360)
Ao longo desse período, Flávio passou mais de duas décadas ocupando cargos eletivos. A única derrota eleitoral anterior havia ocorrido em 2016, quando disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro e terminou em quarto lugar. (CNN Brasil)
Fim do mandato também muda situação no STF
Com o encerramento do mandato, Flávio deixará de ter o foro por prerrogativa de função decorrente do cargo de senador. Atualmente, essa prerrogativa faz com que determinadas investigações envolvendo parlamentares tramitem no Supremo Tribunal Federal.
A perda do foro, porém, não significa que todos os procedimentos contra o senador serão automaticamente enviados para a primeira instância. Em 2025, o STF estabeleceu que a Corte pode manter a competência sobre investigações e ações relacionadas a possíveis crimes cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções desempenhadas, mesmo depois que a autoridade deixa o mandato. A situação deverá ser analisada caso a caso. (Poder360)
Flávio é alvo de investigações que tramitam no Supremo. Entre elas está uma apuração relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. O caso envolve suspeitas sobre repasses atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Flávio admite ter procurado investidores para o filme, mas nega irregularidades. (Poder360)
Outra investigação envolve o advogado Willer Tomaz e apura possíveis irregularidades financeiras relacionadas a empresas do setor financeiro e de apostas. A Polícia Federal analisa possíveis relações econômicas entre os envolvidos, enquanto Flávio nega qualquer irregularidade. (Poder360)
Há ainda uma investigação mencionada por veículos de imprensa envolvendo uma suposta calúnia contra Lula. A Polícia Federal concluiu pela existência de elementos para atribuir a Flávio a prática do crime, mas a situação ainda depende das etapas seguintes do procedimento. (VEJA)
Flávio diz que não reconhece resultado
Após a confirmação da vitória de Lula, Flávio Bolsonaro afirmou que não reconhece o resultado da eleição e sinalizou que pretende contestar judicialmente o segundo turno. Entre os questionamentos apresentados por aliados estão a extensão do horário de votação e outros aspectos do processo eleitoral.
A contestação ocorre depois de uma disputa marcada por forte polarização. Flávio havia terminado o primeiro turno à frente de Lula, mas perdeu a vantagem na segunda etapa, quando o petista conseguiu ampliar sua votação e terminou com 51,79% dos votos válidos.
A derrota também representa uma mudança inédita na trajetória política de Flávio. A partir de fevereiro de 2027, ele estará fora do Congresso e, pela primeira vez desde o início de sua carreira, não terá um mandato eletivo. O fim do cargo também reduz as prerrogativas institucionais associadas à função, embora não encerre automaticamente as investigações que já tramitam no STF.
O resultado marca, portanto, não apenas a derrota de Flávio na disputa presidencial, mas o fim de uma sequência de cinco mandatos consecutivos — quatro na Assembleia Legislativa do Rio e um no Senado — iniciada em 2003.