A ashwagandha, planta de origem asiática que ganhou popularidade nas redes sociais, vem sendo divulgada em anúncios como uma alternativa para aliviar a ansiedade, melhorar o sono, favorecer o emagrecimento e aumentar a massa muscular. Apesar das promessas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que a substância não está autorizada como ingrediente de suplementos alimentares no Brasil, o que torna irregular a fabricação, a comercialização e a distribuição desses produtos.
Conhecida cientificamente como Withania somnifera, a planta é utilizada tradicionalmente na medicina ayurvédica, originária da Índia. Nos últimos anos, extratos da erva passaram a circular em cápsulas e outros produtos divulgados principalmente pela internet, com alegações de benefícios para o bem-estar físico e emocional.
Nas redes sociais, anúncios associam a ashwagandha à redução do estresse, ao controle da ansiedade e à melhora da qualidade do sono. Algumas publicações também prometem resultados relacionados ao emagrecimento e ao ganho de massa muscular. Entretanto, a divulgação desses benefícios não comprova que o produto seja eficaz ou seguro para essas finalidades.
Por que a Anvisa alerta sobre a substância?
Segundo a agência reguladora, a ashwagandha não integra a lista de ingredientes autorizados para utilização em suplementos alimentares no Brasil. Por isso, produtos dessa categoria que contenham a planta não podem ser fabricados, comercializados ou distribuídos legalmente no país. A restrição está relacionada à ausência da autorização sanitária exigida para esse uso.
O alerta ganhou repercussão após o caso de uma mulher britânica que apresentou falência hepática, paradas cardíacas e graves danos cerebrais após consumir um suplemento de ashwagandha. O episódio foi citado pela Anvisa para chamar a atenção aos riscos associados ao consumo de produtos sem avaliação sanitária adequada. Um caso individual, porém, não permite concluir que todas as pessoas terão as mesmas complicações.
A preocupação das autoridades também envolve a publicidade de suplementos como se fossem tratamentos para problemas de saúde. Pelas regras brasileiras, esses produtos não podem ser anunciados com promessas de cura, prevenção ou tratamento de doenças. Além disso, a presença de um ingrediente em um produto vendido na internet não significa que ele tenha sido aprovado pela Anvisa.
Popularidade nas redes sociais preocupa autoridades
A divulgação de produtos associados ao relaxamento e à melhora do sono ganhou espaço em plataformas digitais, onde influenciadores e vendedores frequentemente apresentam relatos pessoais como evidência de resultados. Esse tipo de conteúdo pode dificultar a distinção entre experiências individuais, publicidade comercial e benefícios efetivamente comprovados por estudos científicos.
A Anvisa orienta que a necessidade de suplementação seja avaliada por profissionais de saúde qualificados, considerando a alimentação, as condições individuais e as necessidades de cada pessoa. A agência também alerta que suplementos, inclusive os regularizados, podem causar efeitos indesejados quando utilizados de maneira inadequada.
O caso reforça a importância de verificar a situação sanitária dos produtos e desconfiar de anúncios que prometem resultados rápidos ou garantidos. No Brasil, a ashwagandha não está autorizada para uso em suplementos alimentares, independentemente das alegações de benefícios apresentadas em propagandas.