O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), anunciou que pretende transferir aos municípios a responsabilidade por aproximadamente 12 mil quilômetros de rodovias atualmente classificadas como estaduais. A proposta busca reorganizar a malha rodoviária e redefinir quais estradas devem ficar sob os cuidados do governo estadual e quais devem ser administradas pelas prefeituras.
Segundo Pivetta, parte dessas vias foi estadualizada ao longo dos anos por articulações políticas de parlamentares que buscavam atender às demandas de suas bases eleitorais. O governador afirma que, em muitos casos, a mudança ocorreu formalmente, sem que o Estado assumisse de maneira efetiva a manutenção das estradas.
Durante o anúncio, ele usou a expressão “cobrinhas” para se referir aos pequenos trechos que aparecem espalhados no mapa rodoviário. Na avaliação do governador, essas vias foram incorporadas à malha estadual para atender a interesses políticos, mas continuaram sem receber os serviços de conservação esperados.
A proposta prevê que cada município reassuma a gestão dos trechos localizados em seu território. Para viabilizar a mudança, o governo pretende destinar às prefeituras parte dos recursos atualmente reservados à manutenção rodoviária, permitindo que as administrações locais tenham autonomia para executar reparos e conservar as estradas.
A dimensão da medida é significativa. Mato Grosso possui cerca de 33 mil quilômetros de rodovias estaduais, e a transferência anunciada poderá abranger mais de um terço dessa extensão. O plano deverá integrar uma revisão do planejamento rodoviário do Estado.
Apesar do anúncio, ainda não foram divulgadas a lista completa das estradas que serão transferidas, a previsão de início da mudança nem os critérios para definir quanto cada prefeitura receberá. Esses detalhes serão importantes para avaliar como a proposta será aplicada, especialmente nos municípios que dependem das estradas rurais para o transporte escolar, o deslocamento dos moradores e o escoamento da produção agropecuária.
A iniciativa também faz parte de uma proposta mais ampla de reorganização administrativa do governo estadual. O desafio será garantir que a transferência de responsabilidades venha acompanhada de recursos suficientes para que os municípios consigam manter as vias em condições adequadas, sem comprometer serviços essenciais para a população.