O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocou em dúvida nesta segunda-feira (26) a legitimidade da eleição presidencial brasileira que terminou com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Questionado por jornalistas sobre o resultado, Trump afirmou que o pleito “pareceu mais uma eleição fraudada”, mas não apresentou evidências para sustentar a suspeita. (Reuters)
Ao mesmo tempo em que criticou o processo eleitoral, o presidente americano adotou um tom positivo ao falar de Lula. “Gosto do Lula, me dou bem com ele”, afirmou Trump, deixando claro que sua avaliação sobre o resultado das urnas não significa, necessariamente, uma ruptura na relação pessoal com o presidente brasileiro. (Folha de S.Paulo)
A declaração ocorre um dia depois do segundo turno das eleições de 2026, no qual Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com 100% das urnas apuradas, o petista terminou a disputa com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário. O resultado confirmou a reeleição de Lula para um novo mandato. (Rádio Itatiaia)
A fala de Trump também acontece em meio a questionamentos feitos por aliados de Flávio Bolsonaro sobre a condução da votação. Entre os pontos citados está a extensão excepcional do horário de votação determinada no domingo. O tema passou a integrar os argumentos usados por setores que contestam o resultado, embora a declaração de Trump não tenha apresentado uma evidência independente de fraude eleitoral. (UOL Notícias)
Antes mesmo da declaração desta segunda-feira, o governo Trump havia mantido cautela diante da vitória de Lula. Segundo reportagens publicadas após o resultado, Washington adiou a divulgação de uma mensagem oficial de reconhecimento da vitória enquanto aguardava a posição de Flávio Bolsonaro sobre o resultado. (Folha de S.Paulo)
A postura representa um momento delicado na relação entre Brasília e Washington. Durante a campanha, Trump acompanhou de perto a disputa brasileira e manteve proximidade política com o grupo ligado à família Bolsonaro. Ao mesmo tempo, o presidente americano já havia declarado anteriormente que acompanhava a eleição brasileira “muito de perto”, destacando a importância do país para os Estados Unidos. (EL PAÍS English)
Apesar das críticas, a afirmação de Trump de que gosta de Lula pode indicar que a relação entre os dois governos não necessariamente será definida apenas pela disputa eleitoral. A partir de agora, questões comerciais, diplomáticas e políticas devem pesar na relação entre Brasil e Estados Unidos, especialmente diante das divergências acumuladas durante a campanha.
As declarações do presidente americano, portanto, ampliam a repercussão internacional da eleição brasileira. Até o momento, porém, a acusação de fraude feita por Trump não veio acompanhada de provas apresentadas publicamente.