O advogado norte-americano Martin De Luca, que representa a Trump Media, empresa ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a plataforma de vídeos Rumble, pediu nesta segunda-feira (26) uma investigação “completa e independente” sobre a extensão do horário de votação no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras.
De Luca passou a questionar publicamente a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou no domingo (25) a ampliação do horário de votação até as 19h. A medida ocorreu após pedidos relacionados a dificuldades de transporte de eleitores em diferentes regiões do país.
Em uma publicação no X, o advogado chamou o período adicional de duas horas de “Janela Zanin” e afirmou que o episódio deveria ser investigado. De Luca também questionou a rapidez com que a decisão foi tomada e a participação do STF em uma questão relacionada ao processo eleitoral.
A prorrogação, no entanto, não significou que todas as urnas permaneceram abertas até as 19h. Após a decisão inicial de Zanin, houve um esclarecimento determinando que a extensão deveria ser aplicada somente às seções eleitorais que ainda estavam funcionando às 17h. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, confirmou a orientação aos tribunais regionais eleitorais. (Agência Brasil)
A cronologia do episódio mostra que as campanhas dos dois candidatos haviam apresentado pedidos relacionados à dificuldade de deslocamento dos eleitores. A campanha de Lula inicialmente acionou o TSE e posteriormente solicitou ao STF a ampliação do horário em todo o país. A campanha de Flávio Bolsonaro também apresentou pedido, citando problemas como chuvas, alagamentos, interdições e falta de energia em determinadas localidades. (Poder360)
A decisão de Zanin foi divulgada pouco depois das 17h. Segundo a cronologia divulgada pelo Poder360, o TSE chegou a interromper temporariamente a totalização e a divulgação dos votos enquanto as orientações sobre a extensão da votação eram comunicadas às seções eleitorais. A apuração foi retomada após o encerramento definitivo da votação, às 19h. (Poder360)
De Luca também levantou questionamentos sobre os procedimentos técnicos que teriam sido necessários para manter as urnas funcionando além do horário inicialmente previsto. O advogado citou informações atribuídas a uma fonte do TSE sobre uma possível necessidade de reprogramação individual das urnas e cobrou explicações oficiais sobre quais procedimentos foram efetivamente adotados.
Além da questão técnica, De Luca questionou a legitimidade do resultado eleitoral e sugeriu a possibilidade de irregularidades. Até o momento, porém, as declarações do advogado não foram acompanhadas de provas que demonstrem fraude ou manipulação dos votos.
O episódio ganhou repercussão internacional porque De Luca atua para empresas ligadas ao presidente norte-americano Donald Trump e já havia manifestado apoio a Flávio Bolsonaro durante a campanha eleitoral. As críticas também foram compartilhadas ou repercutidas por figuras ligadas ao círculo político de Trump.
A extensão do horário ocorreu em um momento de forte tensão na disputa eleitoral. Com a decisão, a Justiça Eleitoral precisou coordenar a continuidade da votação nas seções que ainda estavam abertas, enquanto locais que já haviam encerrado os trabalhos não foram reabertos.
O pedido de investigação feito por De Luca, portanto, representa uma cobrança política e jurídica feita por um advogado ligado a empresas norte-americanas. Eventuais irregularidades no processo eleitoral precisam ser comprovadas por evidências e analisadas pelas instituições competentes, e não apenas por questionamentos publicados nas redes sociais.
Até o momento, as autoridades eleitorais mantêm o resultado oficial da eleição e esclareceram que a extensão do horário alcançou somente as seções que ainda estavam abertas no momento da decisão.