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Uma troca pública de declarações entre o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, e o deputado estadual Chico Guarnieri elevou o tom do debate sobre a atuação dos órgãos de controle na fiscalização de obras e rodovias estaduais.

Durante uma transmissão ao vivo realizada nesta quarta-feira (10), Sérgio Ricardo respondeu às críticas feitas pelo parlamentar, que havia questionado a forma como o Tribunal vem conduzindo e divulgando as inspeções em estradas de Mato Grosso. O conselheiro afirmou que tem conhecimento sobre quem teria incentivado o deputado a se posicionar contra as ações fiscalizatórias do órgão, embora tenha optado por não revelar nomes.

“Eu sei quem pediu que o senhor falasse. Sei quem está por trás disso, mas não vou expor”, declarou o presidente do TCE durante a transmissão, em uma fala que rapidamente repercutiu nos meios políticos do estado.

Divergência sobre o papel do Tribunal

A polêmica teve início após Chico Guarnieri afirmar que o Tribunal de Contas exerce função essencial na fiscalização dos recursos públicos, mas que não deveria ultrapassar os limites institucionais previstos para sua atuação.

Na avaliação do parlamentar, algumas manifestações públicas realizadas pelo presidente do TCE estariam transformando fiscalizações técnicas em eventos de grande exposição midiática, o que poderia gerar julgamentos antecipados sobre gestores públicos antes da conclusão formal dos processos de análise.

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Segundo Guarnieri, o papel da Corte de Contas deve ser pautado pela imparcialidade e pelo rigor técnico, sem assumir posições que possam ser interpretadas como políticas.

Defesa das inspeções presenciais

Ao responder às declarações, Sérgio Ricardo destacou sua trajetória na vida pública e lembrou sua passagem pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso, onde exerceu mandatos parlamentares e também presidiu a Casa.

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O conselheiro afirmou que respeita o papel dos deputados estaduais e reforçou que as fiscalizações realizadas pelo Tribunal têm como objetivo garantir transparência e eficiência na aplicação dos recursos públicos destinados à infraestrutura.

De acordo com ele, não existe qualquer incompatibilidade entre as atividades de fiscalização e a divulgação dos resultados encontrados durante as inspeções.

“O Tribunal de Contas e a Assembleia Legislativa são instituições que caminham lado a lado na defesa do interesse público. Eu conheço o papel do deputado e conheço a importância da fiscalização”, declarou.

Redes sociais entram no debate

Durante a transmissão, Sérgio Ricardo também incentivou os cidadãos a se manifestarem diretamente nas redes sociais do deputado para discutir o tema.

Segundo o presidente do TCE, a população tem o direito de questionar posicionamentos de agentes públicos e acompanhar de perto debates relacionados à fiscalização de obras financiadas com recursos estaduais.

A fala ampliou ainda mais a repercussão do episódio, que passou a ser comentado por lideranças políticas e observadores da cena estadual.

Fiscalizações ganham visibilidade

Nos últimos meses, a gestão de Sérgio Ricardo à frente do Tribunal de Contas tem adotado uma postura mais ativa na fiscalização de obras públicas, especialmente em rodovias estaduais.

As vistorias presenciais realizadas por equipes técnicas do órgão passaram a receber ampla divulgação por meio das redes sociais e da imprensa, com registros em vídeo e transmissões mostrando as condições encontradas em trechos de estradas e contratos de infraestrutura.

A estratégia tem recebido apoio de setores que defendem maior transparência na aplicação dos recursos públicos, mas também vem sendo alvo de críticas de parte da classe política, que considera excessiva a exposição de problemas antes da conclusão dos relatórios técnicos.

Debate sobre fiscalização deve continuar

A troca de declarações evidencia uma discussão mais ampla sobre os limites da atuação dos órgãos de controle e a forma como informações relacionadas a obras públicas devem ser divulgadas à sociedade.

Enquanto defensores das inspeções argumentam que a publicidade fortalece a transparência e o controle social, críticos sustentam que a exposição antecipada pode gerar interpretações equivocadas antes do encerramento dos processos de apuração.

O episódio reforça a tensão entre fiscalização, comunicação pública e atuação institucional, temas que devem continuar em debate nos próximos meses em Mato Grosso.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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