Há pouco mais de três anos, Julio Panoff, que atua em inclusão social, tecnologia e inovação, viveu uma experiência em Cáceres que transformou sua visão sobre educação.
Ao lado de Irajá Lacerda, entusiasta e protagonista do projeto, organizou uma turma de empreendedorismo para pessoas surdas, com professor, intérprete de Libras, material didático e 20 alunos.
Nos primeiros encontros, veio a surpresa: a maioria não dominava a leitura e a escrita em português, apesar de anos de escola — alguns até concluíram o ensino médio.
Foi ali que Panoff entendeu que estar matriculado não significa aprender. A realidade atinge muitos estudantes com deficiência, que passam de ano sem participar de verdade das atividades.
O problema, defende ele, está no sistema: falta formação continuada aos professores, materiais acessíveis, apoio especializado e acompanhamento individualizado.
Sem isso, a inclusão vira presença física, e as avaliações viram formalidade.As consequências aparecem na vida adulta, com oportunidades limitadas de estudo, trabalho e independência.
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A experiência em Cáceres deu origem às Práticas Inclusivas, que já formaram mais de 6 mil educadores em Mato Grosso, além do projeto É Pra Já, que atendeu 12 mil pessoas em 39 municípios.
Para Panoff, a transformação exige mudança sistêmica: objetivos reais de aprendizagem, avaliações que meçam a evolução e gestão escolar atenta ao que cada criança aprende de fato.
Adaptar o ensino não é reduzir expectativas, é criar caminhos para que todos cheguem ao conhecimento. Estar na escola é um direito; inclusão de verdade é aprender e construir a própria vida.
Por Julio Panoff atua nas áreas de inclusão social, tecnologia e inovação. As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, o posicionamento editorial do Centroeste News.