O novo modelo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, implementado no fim do ano passado, provocou um salto histórico na procura pela primeira habilitação em todo o país. Segundo o Ministério dos Transportes, entre janeiro e abril de 2026 foram registrados cerca de 4,8 milhões de requerimentos para emissão da CNH, crescimento de 303% em comparação ao mesmo período de 2025.
De acordo com o governo federal, este é o maior volume já registrado desde a criação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em 1997.
O aumento expressivo é atribuído principalmente à redução de custos e à diminuição da burocracia no processo de habilitação.
Curso teórico gratuito impulsionou procura
Uma das principais mudanças do novo modelo foi a gratuidade da formação teórica de condutores.
Nos quatro primeiros meses de 2026, mais de 2,5 milhões de cursos teóricos foram realizados em todo o país, alta de 170% em relação ao mesmo período do ano passado, quando haviam sido registrados 942.693 cursos.
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Segundo especialistas do setor, a medida ampliou significativamente o acesso de pessoas de baixa renda ao processo de habilitação.
Redução de custos facilitou acesso
Outro fator que impulsionou o aumento da demanda foi a criação de um teto de R$ 180 para exames médicos e psicológicos obrigatórios.
Com isso, o número desses exames também cresceu:
- Cerca de 2,2 milhões em 2025;
- Mais de 2,3 milhões em 2026.
O governo avalia que a redução de custos ajudou a combater um dos principais obstáculos históricos para obtenção da CNH no Brasil: o alto valor total do processo.
Mercado automotivo e mobilidade acompanham impacto
Especialistas afirmam que o aumento no número de novos condutores pode gerar impactos positivos em diversos setores da economia, incluindo:
- Mercado automotivo;
- Serviços de transporte;
- Aplicativos de mobilidade;
- Setor de entregas;
- Formação profissional.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação sobre a necessidade de ampliar a capacidade dos órgãos estaduais de trânsito para atender a demanda crescente.
Debate sobre segurança no trânsito continua
Apesar do aumento da acessibilidade, especialistas em trânsito defendem que a flexibilização do processo deve manter rigor técnico e qualidade na formação dos motoristas.
O governo afirma que as mudanças buscaram simplificar custos e burocracias sem comprometer os critérios de segurança exigidos pelo CTB.
O tema continua gerando debates entre autoescolas, especialistas em mobilidade urbana e órgãos de trânsito estaduais.