CentroesteNews
06/01/2026
A J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, mantém desde 2024 poços de exploração de petróleo na Venezuela, um movimento empresarial que ocorre em meio a um cenário político conturbado no país sul-americano e que permanece cercado por falta de transparência.
Em novembro, Joesley Batista esteve em Caracas, onde tentou convencer Nicolás Maduro a renunciar ao cargo antes de uma eventual remoção forçada pelo então presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. A influência do empresário junto ao governo venezuelano ficou evidenciada pelo fato de ele ter sido recebido em audiência, um gesto reservado a interlocutores considerados estratégicos pelo regime.
Apesar disso, pouco se sabe sobre a extensão e os detalhes dos negócios da J&F no setor de energia venezuelano. O motivo é o sigilo imposto pelo Itamaraty sobre os telegramas diplomáticos trocados com a Embaixada do Brasil em Caracas a respeito dessas operações.
De acordo com revelação feita no ano passado pela jornalista Malu Gaspar, os documentos foram classificados com sigilo de cinco anos, o que impede o acesso público às informações e limita o esclarecimento sobre o papel do governo brasileiro, eventuais tratativas diplomáticas e os interesses envolvidos nas atividades da J&F na Venezuela.
O caso reforça o debate sobre transparência na política externa brasileira, especialmente quando envolve grandes grupos empresariais, países sob instabilidade política e negociações em setores estratégicos como o de energia.