Seu Principal Portal de Notícias
Cotação
DÓLAR --
EURO --
LIBRA --

MP-RJ pede suspensão de regras da Prefeitura do Rio para bicicletas e patinetes elétricos

Compartilhar

O Ministério Público do Rio de Janeiro decidiu levar para a Justiça a discussão sobre as novas regras que a prefeitura da cidade impôs para a circulação de ciclomotores, bicicletas elétricas e patinetes. A ação civil pública, protocolada nesta sexta-feira, pede a suspensão imediata de parte do decreto municipal e também das fiscalizações e apreensões que já vinham sendo feitas com base nele. O argumento central é que o município não teria competência para reclassificar esses veículos, uma atribuição que cabe à legislação federal de trânsito e ao Conselho Nacional de Trânsito, o Contran.

O pedido do Ministério Público ocorre num contexto delicado. A prefeitura anunciou as mudanças poucos dias depois de um acidente grave na Tijuca, na Zona Norte, que matou uma mulher e o filho dela enquanto utilizavam um veículo elétrico. A comoção em torno do caso pressionou o poder público por respostas rápidas, e a prefeitura respondeu com regras mais rígidas de circulação e fiscalização. Para a promotoria, no entanto, a pressa não justifica a edição de um decreto sem estudos técnicos completos e sem participação pública.

Os dados apresentados na ação trazem um elemento que desloca o foco da discussão. De acordo com levantamento do próprio Corpo de Bombeiros, dos 382 atendimentos envolvendo veículos de micromobilidade, 266 ocorreram em ruas sem ciclovias, o que representa quase 70% dos casos. Para o Ministério Público, o número sugere que o problema central não está nas regras de circulação dos veículos, mas na falta de infraestrutura urbana adequada. Criar exigências novas sem resolver a estrutura viária seria, na visão do órgão, atacar os sintomas e não a causa.

A ação também questiona a legalidade do decreto num plano mais amplo. Ao alterar a classificação dos veículos, a prefeitura teria invadido uma competência que é da União, criando exigências e enquadramentos que podem contrariar a legislação nacional de trânsito. O pedido de urgência busca justamente evitar que motoristas e usuários desses equipamentos sejam prejudicados por normas cuja validade jurídica ainda não está clara.

Agora, caberá à Justiça decidir se suspende os trechos questionados do decreto e as medidas de fiscalização até que novas regras, desta vez baseadas em estudos técnicos e discussão pública, sejam elaboradas. O caso coloca em evidência um dilema que não é exclusivo do Rio: como equilibrar a necessidade de regular veículos que se multiplicam nas cidades com a garantia de que as regras sejam legalmente sólidas e estruturalmente viáveis.

centro oeste news 3

Redação de:
Fonte:
Comentários

Deixe um comentário

Continue Lendo
Author picture

Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

Centroeste News
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.