O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, indicou que levará ao plenário da Corte os novos elementos apresentados pela Polícia Federal sobre uma suposta rede de monitoramento e influência montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A análise pelo colegiado ocorrerá independentemente da manifestação que vier a ser apresentada pela Procuradoria-Geral da República.
Mendonça determinou ainda que a discussão seja realizada em sessão presencial, pública e transparente, em data a ser definida pelo presidente do STF, Edson Fachin. O ministro também retirou o sigilo do processo, no qual estão reunidas informações produzidas pela PF a partir da análise do celular de Vorcaro.
“Independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal”, escreveu Mendonça. Segundo ele, caberá à instância soberana analisar de modo técnico e estritamente jurídico os novos elementos apresentados pelos investigadores.
O ministro acrescentou que a deliberação deverá ocorrer de forma pública e transparente, em sessão presencial do colegiado. Apesar da indicação do relator, caberá ao presidente do STF decidir sobre a modalidade da análise. Mendonça havia aberto prazo de cinco dias para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestasse sobre o material. Agora, o ministro antecipa que, qualquer que seja a posição da PGR, o conteúdo será submetido aos demais ministros do Supremo.
A movimentação ocorre em meio a um clima tenso na Corte. Na segunda-feira, Moraes e Mendonça tiveram uma reunião pesada antes da divulgação das mensagens de Vorcaro. Segundo relatos, Moraes foi cobrar Mendonça por investigar ministros, enquanto Mendonça disse que o documento era sigiloso e questionou como Moraes teve acesso ao material.
As revelações também ampliaram a pressão política sobre Moraes. Parlamentares da oposição, incluindo Flávio Bolsonaro, pedem o afastamento do ministro após as novas informações sobre a relação com Vorcaro e voltam a falar em impeachment. O caso ganhou ainda mais repercussão com a notícia de que o Master pagou R$ 3,4 milhões a um escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, minutos após uma cobrança de Fábio Faria.