O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou um documento estratégico de 86 páginas ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), buscando mediar as tensões comerciais que ameaçam as exportações brasileiras. Em sua manifestação, o parlamentar defendeu que o PIX não deve ser visto como um concorrente desleal aos cartões de crédito norte-americanos, mas sim como uma infraestrutura pública soberana.
Para acalmar o governo de Donald Trump, Flávio sugeriu um compromisso legislativo para garantir que o sistema de pagamentos brasileiro não seja interconectado a arranjos de liquidação transfronteiriça de países não alinhados ao Ocidente, tentando afastar o temor de que a ferramenta prejudique investimentos dos EUA.
O senador, que se apresenta como pré-candidato à Presidência da República, argumenta que sanções ou tarifas contra o Brasil seriam medidas equivocadas, pois não alterariam a arquitetura do sistema de pagamentos e acabariam punindo a economia americana.
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Flávio ressaltou que funções oferecidas por empresas privadas de cartões, como crédito ao consumidor, financiamento e mecanismos de estorno, não são substituídas pelo PIX. Além disso, ele rebateu as alegações de conflito de interesses feitas pela gestão Trump, citando que o próprio Federal Reserve opera o FedNow, um sistema de pagamentos instantâneos similar ao brasileiro, atuando simultaneamente como regulador e operador.
No documento, Flávio Bolsonaro solicita o adiamento por 180 dias da aplicação das novas tarifas de 25% propostas pelos Estados Unidos, sugerindo que a medida seja postergada para depois das eleições presidenciais no Brasil.
O senador avalia que o “tarifaço” anterior não surtiu efeitos positivos e, na verdade, tem fortalecido politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que utiliza as sanções para inflamar discursos sobre ataques à soberania nacional. Segundo o parlamentar, as taxas acabariam recompensando a estratégia do atual governo de obstruir negociações sérias para converter retaliações externas em vitórias políticas internas.
A articulação de Flávio ocorre de forma independente ao Itamaraty, que também enviou sua resposta oficial ao governo norte-americano negando que as práticas brasileiras imponham barreiras injustas ao comércio. Enquanto o presidente Lula atribui as ameaças tarifárias a movimentações da família Bolsonaro contra as instituições brasileiras, o senador se prepara para participar de uma audiência pública em Washington na próxima semana.
O impasse, fundamentado na “Seção 301” da Lei de Comércio de 1974, pode resultar em uma taxação total de até 37,5% sobre produtos brasileiros, caso as consultas públicas confirmem as práticas consideradas restritivas pelo governo dos Estados Unidos.