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Estudo revela aumento de 215% no número de moluscos exóticos registrados no Brasil

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O número de espécies de moluscos não nativos identificadas no Brasil mais que triplicou nos últimos 15 anos, acendendo um alerta para os riscos à biodiversidade, à economia e à saúde pública. A constatação faz parte de um estudo publicado na revista científica Biological Invasions, que aponta um crescimento de 215% nos registros dessas espécies em território brasileiro.

Segundo a pesquisa, atualmente são conhecidas 82 espécies exóticas de moluscos no país, além de outras 13 cuja origem ainda não foi confirmada. Em 2011, eram registradas apenas 26 espécies, evidenciando uma rápida expansão desses organismos em diferentes ecossistemas brasileiros.

Os pesquisadores destacam que o avanço das espécies exóticas está relacionado ao aumento da circulação internacional de mercadorias, embarcações, organismos utilizados na aquicultura e transporte acidental por diferentes atividades humanas.

Espécies invasoras preocupam especialistas

Entre os moluscos catalogados, 20 espécies já são consideradas invasoras, ou seja, conseguem se estabelecer, se reproduzir e provocar impactos ambientais, econômicos ou sanitários.

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Outras 13 espécies ainda não possuem informações suficientes para que seus efeitos sejam plenamente avaliados.

Nem toda espécie introduzida em um novo ambiente se torna invasora. Entretanto, quando isso acontece, o controle costuma ser complexo, demorado e financeiramente elevado.

Mexilhão-dourado e caramujo-africano estão entre os principais exemplos

O estudo destaca dois dos casos mais conhecidos no Brasil.

O mexilhão-dourado tornou-se um dos maiores problemas para a infraestrutura hídrica nacional. A espécie adere às superfícies e forma grandes colônias capazes de obstruir tubulações, comprometer sistemas de captação de água e reduzir a eficiência de usinas hidrelétricas, estações de tratamento e sistemas de irrigação.

Já o caramujo-africano, introduzido originalmente como alternativa comercial ao escargot, espalhou-se rapidamente por diversas regiões brasileiras.

Além de causar prejuízos à agricultura ao consumir diferentes culturas agrícolas e plantas ornamentais, a espécie pode atuar como hospedeira de parasitas capazes de transmitir doenças em determinadas condições, exigindo cuidados no seu manejo e descarte.

Espécies ocupam diferentes ambientes

O levantamento mostra que os moluscos exóticos estão distribuídos em praticamente todos os tipos de ambientes encontrados no país.

Foram identificadas espécies em:

ambientes marinhos;
áreas estuarinas;
rios e lagos de água doce;
ambientes terrestres.

Essa ampla distribuição aumenta a dificuldade das ações de monitoramento e exige estratégias específicas para cada ecossistema.

Prevenção é mais eficiente do que controle

Os pesquisadores ressaltam que impedir a introdução de espécies invasoras é muito mais eficaz e menos oneroso do que tentar eliminá-las após sua disseminação.

Entre as principais recomendações estão o fortalecimento das medidas de biossegurança, inspeções em cargas e embarcações, monitoramento contínuo dos ecossistemas e programas de detecção precoce.

A identificação rápida de novas espécies permite ações imediatas de contenção antes que elas consigam se estabelecer e provocar impactos irreversíveis.

Ameaça global à biodiversidade

As invasões biológicas são consideradas uma das principais causas de perda da biodiversidade em todo o mundo, ao lado das mudanças climáticas, da destruição de habitats, da poluição e da exploração excessiva dos recursos naturais.

Além de competir com espécies nativas por alimento e espaço, organismos invasores podem alterar cadeias alimentares, modificar ecossistemas inteiros e causar prejuízos econômicos significativos para setores como agricultura, pesca, geração de energia e abastecimento de água.

Os autores do estudo defendem que ampliar o conhecimento sobre os moluscos exóticos presentes no Brasil é fundamental para desenvolver políticas públicas mais eficientes de prevenção, controle e conservação ambiental.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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