Seu Principal Portal de Notícias
Cotação
DÓLAR --
EURO --
LIBRA --
Compartilhar

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul indiciou a ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas por ordenar a eutanásia em massa de cães e gatos que estavam sob responsabilidade do município. O caso, que veio à tona após denúncias de funcionários e protetores independentes, causou forte comoção e revolta entre defensores dos direitos dos animais em todo o país.

As investigações revelaram que dezenas de animais saudáveis foram sacrificados sem justificativa médica, contrariando as normas do Conselho Federal de Medicina Veterinária, que estabelece a eutanásia apenas em casos de sofrimento irreversível ou doenças incuráveis. Segundo a Polícia Civil, a decisão teria sido tomada de forma administrativa, com o argumento de reduzir a superlotação nos abrigos públicos.

Os laudos periciais e depoimentos de servidores apontaram que a ex-secretária ordenava diretamente os procedimentos, muitas vezes dispensando qualquer avaliação veterinária prévia. Em alguns casos, cães e gatos teriam sido retirados das ruas recentemente e encaminhados ao abrigo apenas para serem sacrificados horas depois. O material apreendido durante a investigação inclui seringas, medicamentos anestésicos e listas com nomes de animais marcados para eutanásia.

A descoberta gerou indignação entre organizações de proteção animal, que classificaram o episódio como um “massacre institucionalizado”. Entidades locais e nacionais cobraram medidas mais rigorosas contra práticas abusivas e defendem a criação de políticas públicas efetivas de controle populacional por meio de castração e campanhas de adoção. Nas redes sociais, a hashtag #JustiçaPelosAnimaisDeCanoas mobilizou milhares de internautas, que exigem responsabilização e transparência.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, o inquérito reuniu provas suficientes para o indiciamento da ex-gestora por maus-tratos, crime previsto no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais. A pena pode chegar a cinco anos de prisão, além de multa e proibição de exercer funções relacionadas à causa animal. O Ministério Público deve analisar o caso e decidir sobre o oferecimento da denúncia nas próximas semanas.

centro oeste news 3

Em nota, a Prefeitura de Canoas declarou que não compactua com as ações investigadas e que o caso remonta à gestão anterior. A atual administração afirmou ter adotado novas diretrizes no manejo dos abrigos municipais, priorizando o bem-estar, a transparência e o fortalecimento de parcerias com ONGs e voluntários. Também informou que abriu um processo administrativo para apurar possíveis omissões de outros servidores.

O episódio reacendeu o debate sobre a responsabilidade das políticas públicas de proteção animal no Brasil. Especialistas apontam que, apesar de avanços na legislação, a aplicação das normas ainda é falha e depende do comprometimento das gestões locais. Muitos municípios enfrentam dificuldades em manter estruturas adequadas para abrigar animais resgatados, o que, segundo defensores, jamais deve ser usado como justificativa para a eutanásia indiscriminada.

Para a médica-veterinária e ativista Mariana Lopes, o caso de Canoas expõe um problema estrutural: “O abandono é consequência da falta de políticas de conscientização. Matar os animais não resolve, apenas mascara uma realidade que continua se repetindo. É preciso investir em educação, castração e adoção responsável”, afirmou.

Enquanto as investigações seguem, voluntários e protetores locais tentam identificar quantos animais foram mortos e se ainda há sobreviventes em situação de risco. Vários abrigos particulares se ofereceram para acolher os que restaram, e campanhas de arrecadação de ração e medicamentos foram criadas para garantir o cuidado dos resgatados.

A história chocante dos cães e gatos de Canoas reforça a urgência de um olhar mais humano e responsável sobre a causa animal. O episódio não é um caso isolado, mas um alerta sobre como decisões administrativas equivocadas podem resultar em tragédias silenciosas, atingindo seres indefesos que dependem da empatia e da ética humana para sobreviver.

Redação de:
Fonte:
Comentários

Deixe um comentário

Continue Lendo
Author picture

Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

Centroeste News
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.