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EUA apontam avanço da carne brasileira na China e propõem nova tarifa em investigação comercial

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Um novo relatório do governo dos Estados Unidos elevou a tensão comercial entre Brasília e Washington ao sugerir uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Entre os argumentos apresentados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) está o crescimento acelerado das exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China, que o órgão norte-americano classifica como uma forma de concorrência considerada desleal.

Segundo o documento, as vendas brasileiras de carne congelada para mercados analisados pela investigação cresceram de forma expressiva entre 2015 e 2025. Enquanto as exportações norte-americanas avançaram cerca de 21% no período, o Brasil registrou um crescimento muito superior, ampliando significativamente sua participação no mercado chinês.

O relatório sustenta que parte dessa vantagem competitiva estaria relacionada a supostos riscos de ocorrência de trabalho forçado em segmentos da cadeia produtiva da pecuária brasileira. O USTR afirma que existem dificuldades para rastrear completamente a origem dos animais, citando o fenômeno conhecido como “lavagem de gado”, prática na qual animais oriundos de áreas irregulares são transferidos para propriedades legalizadas antes da comercialização.

Apesar de reconhecer as limitações na rastreabilidade, o órgão norte-americano argumenta que essas dificuldades não impedem a conclusão de que as exportações brasileiras teriam impactado negativamente a competitividade da carne bovina produzida nos Estados Unidos para o mercado chinês.

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Crescimento brasileiro preocupa produtores americanos

O documento também reconhece que outros fatores contribuíram para a perda de espaço dos Estados Unidos na China. Entre eles estão as tarifas impostas por Pequim aos produtos americanos durante períodos de disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo, além de questões relacionadas à capacidade produtiva dos rebanhos norte-americanos.

Mesmo assim, o USTR sustenta que, caso existissem restrições mais severas ligadas a alegações de trabalho forçado, os exportadores americanos poderiam ter ampliado sua participação no mercado chinês.

A carne bovina tornou-se um dos principais produtos do agronegócio brasileiro no comércio internacional. Nos últimos anos, a China consolidou-se como o maior comprador da proteína produzida no Brasil, absorvendo grande parte das exportações do setor.

Reconhecimento sanitário fortalece posição do Brasil

A divulgação do relatório ocorre em um momento favorável para a pecuária brasileira. Nesta semana, a China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, uma conquista considerada estratégica para o setor agropecuário nacional.

A medida tende a ampliar ainda mais o acesso dos produtos brasileiros ao mercado chinês, especialmente de carnes com osso e miúdos bovinos, segmentos que possuem elevado valor agregado e encontram forte demanda no país asiático.

Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro para a China ultrapassaram a marca de US$ 50 bilhões, reforçando a importância da parceria comercial entre os dois países. O setor de carnes figura entre os principais beneficiados por essa relação econômica.

Debate pode ganhar dimensão diplomática

A proposta de novas tarifas deverá ser analisada pelo governo brasileiro, que já sinalizou disposição para contestar medidas consideradas protecionistas. Especialistas avaliam que a discussão ultrapassa o campo comercial e envolve uma disputa crescente por mercados estratégicos, especialmente no setor de alimentos.

Enquanto os Estados Unidos argumentam que buscam garantir condições justas de concorrência, representantes do agronegócio brasileiro defendem que o avanço das exportações é resultado da competitividade, da escala de produção e da ampliação dos mercados conquistados pelo país ao longo da última década.

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Jornalista: José Claudenir de Almeida – DRT nº 0001650

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