A magistratura federal brasileira vive um momento histórico com a eleição da juíza Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira para a presidência da Associação dos Juízes Federais do Brasil. Pela primeira vez em sua trajetória, a entidade será liderada por uma mulher, marcando um novo capítulo de representatividade para o biênio que se estende de 2026 a 2028.
O resultado das urnas eletrônicas, apurado no início de abril, revelou um apoio expressivo da categoria, com a chapa encabeçada pela magistrada conquistando mais de 94% dos votos válidos em um pleito que mobilizou quase 1.300 associados em todo o país.
Ao lado da desembargadora federal Rosimayre Gonçalves de Carvalho, que assumirá a vice-presidência, Ana Lya traz para o comando da associação uma visão voltada à descentralização.
Durante o período de campanha, o foco principal foi a valorização dos magistrados que atuam longe das grandes metrópoles, buscando encurtar a distância entre a estrutura associativa e a realidade diversa enfrentada por quem exerce a jurisdição no interior do Brasil. Essa sensibilidade regional é fruto da própria vivência da nova presidente, que é titular da 2ª Vara da Subseção Judiciária de Cáceres, no Mato Grosso.
A trajetória de Ana Lya na Justiça Federal é sólida e diversificada. Desde que ingressou na carreira em 2011, acumulou experiência em varas criminais estratégicas em Campo Grande e São Paulo, antes de se estabelecer em solo mato-grossense em 2015.
Além da atuação direta nos tribunais, ela dedica parte de sua rotina à formação de novos colegas como professora, unindo a prática jurídica ao rigor acadêmico. Sua base educacional foi construída na Universidade Federal de Mato Grosso, complementada por uma especialização em Direito Público e um mestrado em Direito Penal Tributário pela PUC de São Paulo.
Com a cerimônia de posse agendada para o dia 10 de junho de 2026, em Brasília, a nova diretoria se prepara para assumir os desafios de uma gestão que promete ser pautada pelo diálogo e pelo reconhecimento das particularidades de cada subseção judiciária.
A eleição de uma magistrada vinda de Cáceres para o posto mais alto da representação nacional dos juízes federais simboliza não apenas o avanço feminino nos espaços de poder, mas também o fortalecimento do interior dentro das decisões que moldam o futuro do Judiciário.