Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de novos medicamentos destinados ao tratamento de diferentes tipos de câncer, ampliando as opções terapêuticas disponíveis no Brasil. Entre as novidades estão o Emrelis (telisotuzumabe vedotina), voltado a um grupo específico de pacientes com câncer de pulmão, e o Poherdy (pertuzumabe), indicado para determinados casos de câncer de mama.
O registro do Emrelis foi publicado no Diário Oficial da União em outubro. O medicamento é destinado a adultos com câncer de pulmão de não pequenas células (CPCNP) do tipo não escamoso, localmente avançado ou metastático, que apresentam alta expressão da proteína c-Met e já passaram por tratamento sistêmico. (Atlas Público)
O diferencial do Emrelis está justamente na forma como ele atua. Trata-se de um medicamento que combina um anticorpo direcionado à proteína c-Met com uma substância capaz de provocar a destruição das células tumorais. O anticorpo reconhece a proteína presente na superfície das células cancerígenas e facilita a entrada do complexo na célula. Depois disso, ocorre a liberação da substância citotóxica, levando à morte da célula-alvo.
A aprovação brasileira foi baseada principalmente nos resultados do estudo LUMINOSITY, realizado com pacientes que já haviam recebido tratamentos anteriores. Na população avaliada, a taxa de resposta objetiva foi de 29,2%. Entre os pacientes com alta expressão de c-Met, o índice chegou a 34,5%, mostrando maior resposta justamente no grupo para o qual o medicamento foi desenvolvido.
Apesar dos resultados, o tratamento ainda não significa uma cura para o câncer de pulmão. O objetivo é oferecer uma nova alternativa para pacientes com doença avançada ou metastática que já passaram por outras terapias e possuem poucas opções disponíveis. O câncer de pulmão de não pequenas células representa aproximadamente 85% dos casos de câncer pulmonar. (Serviços e Informações do Brasil)
Especialistas também destacam que o medicamento precisa passar por etapas regulatórias antes de chegar efetivamente aos pacientes brasileiros. O Emrelis ainda não possui preço definido no país e precisa ter seu valor estabelecido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes da comercialização. A aprovação da Anvisa, portanto, autoriza o registro sanitário, mas não significa que o medicamento já esteja disponível gratuitamente pelo SUS. (GZH)
A situação é diferente para alguns outros medicamentos contra o câncer que estão sendo incorporados à rede pública. O Ministério da Saúde anunciou em outubro a oferta de nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia no SUS, com previsão de chegar a 23 novos fármacos até o fim do ano. Entre eles estão tratamentos para câncer de pulmão e de mama. A iniciativa prevê ampliar em 35% as alternativas disponíveis na rede pública e deverá beneficiar mais de 116 mil pessoas. (Serviços e Informações do Brasil)
Novo medicamento para câncer de mama
A Anvisa também aprovou o Poherdy (pertuzumabe), destinado a pacientes com câncer de mama HER2-positivo em diferentes situações da doença.
Nos casos de câncer de mama metastático ou localmente recorrente que não pode ser operado, o medicamento é indicado em combinação com trastuzumabe e docetaxel para pacientes que ainda não receberam tratamento anti-HER2 ou quimioterapia para a doença metastática. (European Medicines Agency (EMA))
Para o câncer de mama em estágio inicial, o pertuzumabe pode ser utilizado em conjunto com trastuzumabe e quimioterapia tanto antes quanto depois da cirurgia. No tratamento neoadjuvante, é destinado a pacientes com doença HER2-positiva localmente avançada, inflamatória ou em estágio inicial e com alto risco de retorno da doença. Já no tratamento adjuvante, é utilizado após a cirurgia em pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágio inicial que apresentam risco elevado de recorrência.
O medicamento é um biossimilar do pertuzumabe, ou seja, foi desenvolvido para apresentar alta similaridade com um medicamento biológico de referência já utilizado na prática clínica. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) também autorizou o Poherdy em 2026 para essas indicações. (European Medicines Agency (EMA))
As novas aprovações acontecem em um momento de ampliação das opções de tratamento oncológico no país. Nos últimos meses, a Anvisa também autorizou novas indicações para medicamentos contra o câncer de pulmão, enquanto o Ministério da Saúde iniciou a expansão da oferta de terapias de alta tecnologia no SUS. (Serviços e Informações do Brasil)
A chegada de novas terapias é considerada importante principalmente para pacientes com tumores avançados ou com características moleculares específicas, já que determinados medicamentos só funcionam para grupos que apresentam determinadas proteínas ou alterações nas células cancerígenas. Por isso, exames que identificam o perfil do tumor são cada vez mais importantes para definir qual tratamento pode oferecer maior benefício.
É importante destacar que a indicação e a escolha de qualquer uma dessas terapias dependem da avaliação individual do paciente por uma equipe médica, levando em consideração o tipo e o estágio do câncer, características do tumor, tratamentos anteriores e condições gerais de saúde.