A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou, nesta quinta-feira (5), o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana, que está na linha de sucessão presidencial após a renúncia de Santiago Peña. A decisão ocorreu em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios recursos.
A proposta de afastamento recebeu 48 votos contrários e 30 favoráveis. O resultado não alcançou a maioria de dois terços exigida pela Constituição paraguaia para que a acusação avançasse ao Senado. Com isso, o pedido contra Alliana foi arquivado pela Câmara.
Mais Lidas
-
Max Russi anuncia intenção de cortar gastos e cargos comissionados na ALMT em 2027
-
“A Assembleia confia na Polícia Federal, no Ministério Público e na imprensa”. A declaração é do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), ao defender o aprofundamento das investigações da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal em 29 de outubro, que resultou na prisão do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Sérgio Ricardo. Durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (4), o parlamentar classificou a situação como muito ruim e destacou a importância da atuação dos órgãos responsáveis, além do acompanhamento da imprensa, para o esclarecimento dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, caso sejam comprovadas irregularidades. “Eu acredito que isso vai ser muito bem apurado, a sociedade vai acompanhar de perto e a Assembleia Legislativa também. Vamos confiar nesses órgãos e aquilo que for papel da ALMT, nós vamos tomar todas as providências, eu falo em nome do parlamento estadual e tenho certeza que podemos contar com todos os deputados”, afirmou Max. O presidente reforçou ainda que a Assembleia acompanhará os desdobramentos da operação e adotará as medidas que estiverem dentro de suas atribuições, conforme o avanço das investigações. A intenção, segundo o parlamentar, é contribuir para que os fatos sejam esclarecidos e eventuais responsabilidades sejam devidamente apuradas. A Operação A Operação Tomada de Contas foi deflagrada em 29 de outubro pela Polícia Federal (PF), com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para investigar um suposto esquema de fraudes em contratos, lavagem de dinheiro e organização criminosa no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra o presidente do TCE, Sérgio Ricardo de Almeida, além de outros investigados, entre eles o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires, Roseli Loss, Adriangelo Barros Antunes, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke.
-
Max Russi assumirá Governo de MT durante viagem de Pivetta à COP31
A votação aconteceu durante uma sessão extraordinária convocada após o anúncio da renúncia de Peña, que deixou o comando do país em meio à pressão política provocada pela crise bancária. A situação também envolveu acusações da oposição sobre possíveis irregularidades na relação entre integrantes do governo e a instituição financeira.
Alliana havia sido incluído nos pedidos de impeachment apresentados por parlamentares oposicionistas, que questionavam sua suposta participação na condução da crise envolvendo o Ueno Bank. Entre as acusações estavam possíveis omissões diante de problemas financeiros da instituição e a utilização de recursos de fundos previdenciários.
Com a rejeição do pedido de impeachment, o vice-presidente fica livre desse processo na Câmara e tem o caminho aberto para assumir a Presidência. Pela Constituição do Paraguai, em caso de renúncia do presidente, o vice assume o cargo e deverá concluir o mandato, previsto para agosto de 2028.
Crise bancária provocou renúncia de Peña
A saída de Santiago Peña está diretamente relacionada ao colapso do Ueno Bank, instituição que teve suas operações interrompidas após o Banco Central identificar problemas de solvência. A medida afetou aproximadamente 3 milhões de clientes e provocou forte repercussão econômica e política no país.
Peña enfrentava questionamentos por sua antiga ligação societária com o Grupo Vázquez, controlador do banco, do qual foi acionista até março de 2025. A oposição também levantou suspeitas sobre a movimentação de recursos públicos e previdenciários na instituição.
Apesar da renúncia, a Câmara aprovou o prosseguimento do processo de impeachment contra Peña, por 78 votos favoráveis e nenhum contrário, encaminhando a acusação ao Senado.
O episódio abre uma nova etapa na política paraguaia, com a expectativa de transferência do comando do Executivo para Pedro Alliana enquanto as investigações sobre a crise financeira continuam.
Fontes: ABC Color, EFE, CNN Brasil e Câmara dos Deputados do Paraguai.