O governo dos Países Baixos anunciou nesta segunda-feira (26) a intenção de contribuir com até US$ 500 milhões, distribuídos ao longo dos próximos dez anos, para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Liderada pelo Brasil, a iniciativa busca criar uma fonte permanente de financiamento para países que preservam suas florestas tropicais.
O anúncio representa um avanço importante para a consolidação do fundo, que pretende mobilizar US$ 125 bilhões no longo prazo. Desse total, cerca de US$ 100 bilhões deverão vir de investimentos privados, enquanto recursos públicos funcionariam como parte da estrutura financeira necessária para colocar o mecanismo em funcionamento. (Rijksoverheid)
O TFFF foi lançado durante a COP30, realizada em Belém, no Pará, em novembro de 2025. A proposta brasileira é diferente de mecanismos tradicionais de financiamento climático: em vez de remunerar apenas projetos específicos, o fundo pretende gerar recursos de forma contínua e recompensar países que mantenham suas florestas tropicais preservadas.
A previsão é que os recursos sejam aplicados em investimentos financeiros e que parte dos rendimentos seja destinada aos países participantes. O pagamento indicativo é de aproximadamente US$ 4 por hectare de floresta preservada por ano, com o cumprimento das regras de conservação acompanhado, entre outros mecanismos, por imagens de satélite. (Rijksoverheid)
A expectativa do governo dos Países Baixos é que o mecanismo possa contribuir para a proteção de aproximadamente 800 milhões a 900 milhões de hectares de florestas tropicais. O valor equivale a uma área cerca de 200 vezes maior que o território holandês. (Rijksoverheid)
Além da Holanda, o TFFF já recebeu compromissos de países como Brasil, Noruega, Indonésia, Alemanha, França e Reino Unido. Na COP30, os compromissos anunciados somavam quase US$ 6,7 bilhões, incluindo US$ 3 bilhões da Noruega, US$ 1 bilhão do Brasil e US$ 1 bilhão da Indonésia, além de contribuições de Alemanha, França e outros parceiros. (COP30 Brasil)
A entrada dos Países Baixos ocorre, portanto, em um momento estratégico para o fundo. O Brasil pretende ampliar os compromissos financeiros para alcançar recursos suficientes para iniciar a operação do mecanismo. Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, a expectativa é de que o TFFF possa começar a funcionar em 2027, após a conclusão de sua estruturação financeira e institucional. (UOL Economia)
O modelo também busca aumentar o papel de países tropicais e comunidades locais na agenda internacional de conservação. A lógica é criar um incentivo econômico para manter a floresta em pé, tornando a preservação uma alternativa financeiramente mais vantajosa do que atividades que levam ao desmatamento.
Para o Brasil, que abriga grande parte da Amazônia e foi responsável por colocar o TFFF entre as principais iniciativas da COP30, a adesão de novos países fortalece a tentativa de transformar a proteção das florestas tropicais em uma política de financiamento de longo prazo. O desafio, agora, é transformar os compromissos anunciados em recursos efetivamente disponíveis e garantir que o mecanismo funcione com transparência e critérios rigorosos de preservação.