O vice-presidente Geraldo Alckmin usou palavras duras para se referir à nova leva de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, mas fez questão de reiterar que o governo não vai abandonar a mesa de negociação. Em entrevista coletiva após visitar a Avibras, em Jacareí (SP), nesta sexta-feira (24), ele classificou a medida como “injusta e descabida” e afirmou que o presidente Lula tem orientado o governo a manter o diálogo com os norte-americanos, apesar da escalada protecionista promovida por Donald Trump.
A nova taxa de 12,5% entrou em vigor justamente nesta sexta-feira e se soma, em muitos casos, à tarifa de 25% anunciada anteriormente, fazendo com que alguns itens brasileiros passem a pagar uma alíquota total de 37,5% para entrar no mercado americano.
Diante do cenário, Alckmin afirmou que o governo não vai ficar parado. Ele lembrou que já foram autorizados R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito subsidiado para capital de giro, compra de bens de capital e investimentos — o chamado Brasil Soberano 3, lançado na quarta-feira — e disse que o governo continuará trabalhando para ampliar os mercados compradores dos produtos brasileiros.
“O que o presidente Lula tem destacado? Primeiro, não sair da mesa de negociação. O que depender de nós é continuar na mesa de negociação, explicitar que é injusto e descabido”, declarou Alckmin. O vice-presidente também reforçou a estratégia de buscar novos parceiros comerciais para reduzir a dependência do mercado americano.
“A outra é buscar novos mercados. O Brasil está ampliando para novos mercados”, completou, sinalizando que a diversificação da pauta exportadora é um dos pilares da resposta brasileira à ofensiva comercial de Washington.
A declaração ocorre em meio a um momento particularmente tenso nas relações bilaterais. Além das tarifas, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, trocou farpas com o governo brasileiro nas últimas semanas, e o chanceler Mauro Vieira classificou as declarações do representante de Trump como “inaceitáveis”.
Enquanto isso, o Brasil tenta equilibrar o discurso firme com a pragmática necessidade de manter canais abertos com um dos maiores parceiros comerciais do país — mesmo diante de uma guerra comercial que, a cada semana, impõe novos desafios à economia brasileira.