CentroesteNews
08/05/2025
Anna Vitória Bispo
A vacina de RNA mensageiro (mRNA) contra a Covid-19 desenvolvida pela Fiocruz apresentou excelente eficácia em testes com animais, com desempenho semelhante ao de vacinas como as da Pfizer e Moderna. Os testes de segurança devem ser concluídos até julho e, se aprovados, permitirão o início da fase 1 de testes em humanos ainda em 2025.
De acordo com Patrícia Neves, coordenadora do Hub de RNA de Bio-Manguinhos, não houve eventos adversos graves nem mortalidade nos testes com animais. A instituição já produziu três lotes de controle e dois lotes de vacina, usados nos estudos toxicológicos. A análise microscópica dos tecidos garante que os compostos não causam toxicidade.
A vacina utiliza uma nanopartícula lipídica para transportar o RNA com informações genéticas do coronavírus às células do sistema imunológico, estimulando a produção de anticorpos. Se a tecnologia se confirmar eficaz, poderá ser adaptada para combater outras doenças de forma mais rápida e eficiente.
Além da Covid-19, a Fiocruz já desenvolve vacinas com a mesma plataforma para doenças como leishmaniose, vírus sincicial respiratório (VSR), febre amarela e tuberculose — algumas delas com potencial para substituir as versões atuais, aumentando a proteção e ampliando o público-alvo.
Para Patrícia Neves, dominar essa tecnologia é um avanço estratégico para o Brasil. O RNA, segundo ela, poderá futuramente ser usado não apenas em vacinas, mas também em tratamentos para câncer e doenças genéticas raras.