CentroesteNews
05/05/2025
Anna Vitória Bispo
Um em cada três brasileiros adultos enfrenta dificuldades para compreender e interpretar informações básicas do dia a dia. Segundo dados mais recentes do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), cerca de 30% da população entre 15 e 64 anos é considerada analfabeta funcional no Brasil.
Isso significa que aproximadamente 3 em cada 10 brasileiros não conseguem realizar tarefas simples, como entender um bilhete, interpretar uma manchete de jornal ou fazer cálculos básicos com dinheiro. Esses indivíduos até conseguem ler e escrever palavras ou frases curtas, mas têm dificuldades em aplicar essas habilidades em contextos mais complexos.
O levantamento divide os brasileiros em quatro níveis de alfabetismo: analfabetismo, rudimentar, básico e pleno. Os dois primeiros formam o grupo dos analfabetos funcionais. Já os que alcançam os níveis básico e pleno são capazes de compreender textos e resolver problemas cotidianos com maior autonomia.
A pesquisa revela também que, apesar dos avanços na educação formal, o país ainda enfrenta desafios estruturais na qualidade do ensino, especialmente no ensino fundamental e médio. A desigualdade regional, a evasão escolar e a falta de acesso a materiais de leitura também contribuem para manter o índice elevado de analfabetismo funcional.
Especialistas alertam que esse cenário compromete não apenas o desenvolvimento pessoal dos cidadãos, mas também a produtividade do país, o acesso a direitos e a participação plena na sociedade. “Não basta garantir o acesso à escola, é preciso garantir o aprendizado de fato”, afirma um dos coordenadores do Inaf.
Programas de alfabetização de jovens e adultos e melhorias na formação de professores são apontados como caminhos essenciais para reverter esse quadro.