A Groenlândia e a Antártica enfrentam uma perda acelerada de gelo nas últimas décadas, em um cenário que reforça os impactos das mudanças climáticas no planeta. Um estudo científico baseado em imagens de satélite analisou a redução das calotas polares desde 1979 e revelou a dimensão das transformações ocorridas nessas regiões.
Ao longo de quase cinco décadas, aproximadamente 12 trilhões de toneladas de gelo foram perdidas. O volume impressionante seria suficiente para cobrir toda a extensão territorial dos Estados Unidos contíguos, ou quase todo o território brasileiro, com uma camada de água de cerca de 1,5 metro.
A pesquisa aponta uma tendência contínua de redução da massa de gelo, com perdas que se intensificaram ao longo dos anos. O derretimento e o deslocamento de grandes quantidades de gelo para os oceanos contribuem para a elevação do nível do mar, aumentando os riscos para regiões costeiras e comunidades que vivem próximas ao litoral.
De acordo com a cientista Ines Otosaka, autora principal do estudo, os dados evidenciam uma relação entre a perda de massa das calotas polares e as mudanças climáticas. A transformação do ambiente polar demonstra como o aquecimento do planeta pode afetar ecossistemas e territórios muito além das regiões congeladas.
O levantamento reforça a importância do acompanhamento científico das calotas polares e dos efeitos do aquecimento global, especialmente diante das consequências que o aumento do nível dos oceanos pode provocar nas próximas décadas.