Um projeto de energia solar em Fernando de Noronha, em Pernambuco, passou a gerar discussões sobre os impactos ambientais associados à própria transição para fontes renováveis. O empreendimento prevê a instalação de estruturas para geração de energia em uma área de 23 hectares, com retirada de vegetação em aproximadamente 16 hectares.
A intervenção deve resultar na remoção de cerca de 10 mil árvores, o que preocupa moradores e especialistas diante das características ambientais da ilha. Entre os principais questionamentos estão os possíveis efeitos sobre o solo, a fauna e o equilíbrio dos ecossistemas locais.
Um dos pontos levantados é a fragilidade do solo de Fernando de Noronha. Com a retirada da cobertura vegetal, existe preocupação de que as chuvas possam aumentar a erosão e transportar sedimentos para áreas de drenagem e para o oceano, provocando impactos ambientais.
Também há discussões sobre a perda de habitat para animais e sobre a destinação da área utilizada pelo empreendimento. Representantes locais avaliam que o espaço poderia ser aproveitado para outras atividades, como moradia, agricultura e criação de animais.
A empresa responsável pelo projeto defende que a iniciativa faz parte da estratégia para reduzir a dependência da ilha da geração de energia por óleo diesel. Atualmente, o sistema elétrico local consome cerca de 10 milhões de litros de diesel por ano para produzir eletricidade.
Do total de vegetação que será retirada, aproximadamente 55% são espécies exóticas e 45% nativas. Como medida de compensação ambiental, está previsto o cultivo e plantio de cerca de 20 mil mudas de espécies nativas, número correspondente ao dobro das árvores removidas.
Também estão previstas medidas para controlar possíveis impactos, incluindo sistemas de drenagem, recuperação da cobertura vegetal e contenção de sedimentos.
O caso mostra que a expansão das energias renováveis também exige planejamento ambiental. Mesmo projetos destinados à redução do uso de combustíveis fósseis podem provocar impactos sobre o território, tornando o local escolhido, o licenciamento e as medidas de compensação fatores importantes para a implantação dessas iniciativas.