O governo de Donald Trump voltou a elevar o tom contra o Brasil em meio à reta final da eleição presidencial. Em uma determinação publicada nesta quarta-feira (16), o presidente norte-americano acusou o governo brasileiro de não enfrentar de forma suficiente organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), apontadas no documento como responsáveis por transformar o país em um centro internacional de distribuição de cocaína.
O posicionamento ocorre no mesmo período em que Eduardo Bolsonaro está em Washington para defender novas medidas contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente o ministro Alexandre de Moraes. O ex-deputado havia anunciado a viagem na semana passada e afirmou que pretendia conversar com autoridades norte-americanas sobre a possibilidade de retomada das sanções previstas pela Lei Global Magnitsky.
Nesta quarta-feira, Eduardo e o empresário Paulo Figueiredo se reuniram com integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo a CNN Brasil, os dois defenderam sanções também contra os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, além de Moraes.
A movimentação ocorre um dia depois de uma sessão do STF relacionada ao chamado Caso Master. Eduardo vinha afirmando que pretendia apresentar aos norte-americanos informações sobre o julgamento e utilizar os acontecimentos recentes para defender uma nova rodada de sanções.
A pressão sobre Moraes não é nova. O ministro chegou a ser alvo de sanções norte-americanas em 2025, mas as medidas foram posteriormente retiradas durante um processo de reaproximação entre os governos brasileiro e americano. Agora, aliados de Bolsonaro tentam reabrir essa discussão em Washington.
Paralelamente, o documento divulgado pelo governo Trump endurece as críticas ao Brasil na área de segurança e combate ao tráfico internacional. A Casa Branca afirma que as organizações criminosas brasileiras representam uma ameaça à segurança internacional e cobra do governo brasileiro ações consideradas mais firmes contra esses grupos.
A nova ofensiva acontece em um momento politicamente sensível no Brasil, com a eleição presidencial se aproximando e a relação entre Brasília e Washington marcada por divergências sobre segurança, soberania e atuação do Judiciário. Integrantes do Ministério da Justiça e da Polícia Federal avaliaram que a manifestação norte-americana também possui dimensão político-eleitoral, enquanto o governo Trump apresenta a questão como parte de sua política de combate ao tráfico internacional.
O episódio amplia a pressão diplomática sobre o governo brasileiro e coloca as relações entre Brasil e Estados Unidos novamente no centro do debate durante a campanha eleitoral.