CentroesteNews
21/07/2025
A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil pode ter efeitos severos sobre o agronegócio nacional. A medida, segundo alerta do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), impacta diretamente setores como o de suco de laranja, café, carne bovina e frutas frescas — pilares das exportações agrícolas brasileiras.
O suco de laranja é apontado como o item mais vulnerável. O produto já enfrenta uma taxa de US$ 415 por tonelada para entrar nos EUA. A nova sobretaxa compromete ainda mais a competitividade brasileira no segundo maior destino da bebida. O Brasil fornece cerca de 80% do suco de laranja consumido pelos americanos. A safra 2025/26, estimada em 314,6 milhões de caixas apenas em São Paulo e Triângulo Mineiro, pode enfrentar acúmulo de estoques e queda nos preços internos.
Já o setor cafeeiro, que tem os EUA como maior consumidor mundial, também está em alerta. O Brasil fornece 25% do café consumido no país norte-americano, sobretudo da variedade arábica. A tarifa compromete a cadeia local de torrefação e redes de cafeterias, podendo causar instabilidade no mercado global.
No caso da carne bovina, os Estados Unidos são o segundo maior comprador do Brasil, atrás apenas da China. Com 12% das exportações, empresas americanas vinham aumentando as compras em março e abril, provavelmente em antecipação à nova política tarifária. Estados como São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul lideram as exportações para o país.
As frutas frescas, como manga e uva, também estão na lista de risco. Com a janela de exportação da manga se abrindo em agosto, produtores relatam a suspensão de embarques devido à incerteza. A uva, que teria forte presença a partir de setembro, também pode perder espaço no mercado norte-americano.
Segundo o Cepea, o redirecionamento para a União Europeia ou o mercado interno pode gerar desequilíbrio entre oferta e demanda, afetando os preços pagos ao produtor. Para os pesquisadores, o momento exige resposta diplomática urgente. “A exclusão das tarifas é estratégica tanto para o Brasil quanto para os EUA, que dependem do fornecimento brasileiro para manter sua segurança alimentar e competitividade agroindustrial”, conclui a nota do centro de estudos da USP.