O partido Missão oficializou neste sábado (1º) a candidatura de Renan Santos à Presidência da República, em um evento realizado na Zona Leste de São Paulo que marcou a estreia do empresário e do próprio partido nas urnas. Em um discurso de tom inflamado, Renan fez questão de se distanciar da chamada terceira via, que classificou como uma “oposição da oposição”, e apresentou sua candidatura como um caminho próprio, construído com ideias e cores próprias.
O candidato, que subiu ao palco por volta das 17h30, relembrou a fundação do Movimento Brasil Livre há 12 anos e criticou tanto o petismo quanto o bolsonarismo. Sobre Flávio Bolsonaro (PL), foi duro: chamou o presidenciável de “farsante, fraco e corrompido” e afirmou que ele foi colocado na disputa por Lula e está sendo preparado para perder. Segundo Renan, a meta é tirar Flávio do segundo turno para que o PT volte seus ataques contra o Missão.
A fala também trouxe promessas polêmicas. O candidato defendeu que “ninguém vai roubar nada que é teu, porque nós vamos matar quem roubar”, em referência ao combate ao crime. Afirmou que vai “varrer o crime organizado das favelas” e transformar seis mil favelas em bairros, além de prometer que nenhum estado terá mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores formais e de realizar um mutirão de alfabetização pelo país.
O candidato a vice será Aroldo Medina, militar da reserva, que prometeu comandar a primeira incursão ao Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, e defendeu um “choque de lei e ordem” sem precedentes. O deputado federal Kim Kataguiri (Missão) reforçou o discurso, e a vereadora Amanda Vettorazzo, coordenadora da campanha, definiu Renan como “líder de sua geração”.
Durante o evento, também foi lançado o “Livro Amarelo”, um conjunto de seis fascículos com o projeto do partido para o Brasil, dividido em 14 capítulos e três volumes. Entre as propostas estão o maior ajuste fiscal da história do país, avaliado em R$ 3,3 trilhões, a criação de uma reserva nacional em criptomoedas e a extinção da Justiça do Trabalho.
O Missão também apresentou candidatos aos governos de nove estados, incluindo Rafaell Milas no Mato Grosso. Renan Santos, de 42 anos, é ativista, empresário e uma das lideranças do MBL, e já havia sido oficializado candidato em julho, em evento online por orientação da equipe de segurança diante de ameaças atribuídas a facções criminosas.