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09/12/2025
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Em um cenário em que a pecuária brasileira busca animais cada vez mais jovens, pesados e adaptados ao clima tropical, a raça Santa Gertrudis começa a ocupar um espaço que antes parecia restrito a raças europeias. O que antes era visto como aposta hoje se transforma em resultados práticos no campo, com números que impressionam produtores e técnicos.
Na Fazenda Boa Vista, em Nova Andradina, no Mato Grosso do Sul, a mudança de rota partiu de uma observação simples e objetiva. O gestor Douglas Rodrigues percebeu que os cruzamentos tradicionais com Angus, Bonsmara e Brahman funcionavam bem até a desmama, mas perdiam ritmo no confinamento. O excesso de genética europeia dificultava o desempenho em ambiente tropical. A alternativa encontrada foi apostar na genética Santa Gertrudis desenvolvida no Brasil, a partir do trabalho da Fazenda Mangabeira, em Sergipe.
A transformação aconteceu a partir de uma seleção técnica mais rigorosa. Os touros utilizados passaram a ser escolhidos com base em ultrassonografia de carcaça, avaliando área de olho de lombo, espessura de gordura e marmoreio. Essa estratégia garantiu animais mais equilibrados, com crescimento acelerado e terminação precoce. O resultado prático apareceu no curral: bovinos prontos para o abate entre 15 e 16 meses, com média de 20 arrobas e padrão de carcaça considerado excelente.
Além do desempenho, o que mais chama atenção dos produtores é a rusticidade. Animais de pelo curto, melhor tolerância ao calor e maior resistência a parasitas reduziram o custo com medicamentos e manejo. Isso significa não apenas mais eficiência produtiva, mas também maior margem de lucro para quem investe em genética adaptada à realidade do Cerrado e do Nordeste.
A zootecnista Liliane Cunha, especialista em produção animal, explica que o segredo dessa evolução está no equilíbrio. A seleção simultânea de características de crescimento, acabamento e qualidade da carne permite gerar bovinos que entregam produtividade mesmo em ambientes desafiadores. Segundo ela, essa combinação é o que diferencia a Santa Gertrudis de outras raças utilizadas no cruzamento industrial.
O avanço desse trabalho já colocou reprodutores brasileiros em centrais de inseminação e expandiu a procura por essa genética em estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A expectativa do setor é de que a demanda continue crescendo, impulsionada pela busca por sistemas mais sustentáveis e rentáveis. Para os criadores envolvidos, o foco é claro: oferecer aos pecuaristas a chance de acelerar o ciclo produtivo sem abrir mão da adaptação ao clima quente.
A experiência mostra que a pecuária nacional tem capacidade de desenvolver soluções próprias, baseadas em ciência e seleção de longo prazo. O desempenho da Santa Gertrudis no cruzamento industrial fortalece a ideia de que produtividade e adaptação não são opostas, mas complementares. Em um país de clima desafiador, a genética que aprende a conviver com o calor pode ser o caminho mais seguro para a competitividade do rebanho brasileiro.