O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, afirmou em entrevista ao g1 e à GloboNews nesta quarta-feira (5) que, se eleito, poderá deixar de cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerar ilegais.
Segundo ele, decisões monocráticas que extrapolem as competências da Corte não devem ser obedecidas de imediato. “Se o Supremo Tribunal Federal tomar uma decisão ilegal, decisão ilegal não se cumpre. Ponto”, afirmou. O candidato disse que não cumpriria determinação que entendesse invadir atribuições do Legislativo ou do Executivo. “Eu serei um presidente, não um boneco”, completou.
Renan também afirmou que, se eleito, vai trabalhar para compor com parlamentares do Centrão, a quem chamou de “parasitas”. O candidato reconheceu que aceitaria fatiar a PEC Fiscal, pacote de ajustes para reduzir os gastos públicos, para facilitar a tramitação no Congresso, e que negociaria o apoio dos partidos do Centrão para aprovar a proposta.
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“Eu vou ter que conversar. Eu vou ter que negociar e compor com membros deste Parlamento. Eu sou um democrata, eu vou ter que compor. O que eu não farei são negociações não republicanas”, disse.
Na entrevista, conduzida pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery, Renan explicou a fala “prendeu, matou”, dita na convenção do partido, dizendo que foi um recado político de intenção de enfrentar o crime de maneira “dura” e que a interpretação é “confusa”.
Questionado sobre o modelo de segurança pública de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, negou que pretenda reproduzir no Brasil medidas como prisões sem mandado judicial, julgamentos coletivos ou detenções baseadas apenas em denúncias anônimas. “Eu não sou o Bukele, eu sou brasileiro. Meu nome é Renan Santos”, afirmou.
O candidato disse ainda que pretende usar o estado de defesa em localidades específicas para retomar territórios ocupados por criminosos, nos dois primeiros meses de um eventual governo. Sobre o combate ao feminicídio, reconheceu que não tem plano próprio sobre mulheres e afirmou que “o homem que comete o feminicídio é o mesmo homem que fala que tem que matar os bandidos”. Renan também defendeu o restabelecimento da “boa autoridade masculina” na criação de filhos e se arrependeu de um vídeo gravado em 2017, no qual fazia uma piada envolvendo estupro, classificando o comentário como “uma piada muito ruim”. Ele negou a acusação de estupro registrada contra ele em 2021, da qual foi absolvido por falta de provas.