A Polícia Federal investiga suspeitas de que uma emenda parlamentar destinada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em 2023, tenha sido desviada após o repasse a uma entidade do Rio de Janeiro. A apuração envolve diálogos entre uma assessora do parlamentar e Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, condenado por organização criminosa no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco.
Segundo as informações divulgadas nesta segunda-feira (21), Calixto teria procurado a assessora para tratar da liberação de recursos. A emenda, no valor de aproximadamente R$ 199 mil, foi destinada ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), com pagamento registrado em novembro de 2023.
As investigações também analisam o destino do dinheiro. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), incorporada ao caso, apontou que parte dos recursos recebidos pelo instituto teria sido utilizada para pagar um escritório de advocacia pertencente aos próprios responsáveis pela entidade.
Mensagens encontradas no celular de Calixto também são analisadas pelos investigadores. Segundo a apuração, a assessora teria orientado o investigado a procurar Flávio Bolsonaro pessoalmente para tratar da liberação dos recursos e o convidado para um evento em que poderia conversar com o senador.
A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda foi destinada de acordo com a legislação e os critérios técnicos do Ministério do Esporte. Também declarou que a entidade apresentou notas fiscais referentes aos materiais adquiridos e devolveu os valores que não foram utilizados. O senador não comentou especificamente os diálogos.
A investigação da PF faz parte de uma apuração mais ampla sobre possíveis desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas a organizações da sociedade civil no Rio de Janeiro. A corporação informou que investiga crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.