CentroesteNews
24/11/2025
A Polícia Federal concluiu, em laudo pericial, que o ex-presidente Jair Bolsonaro tentou abrir sua tornozeleira eletrônica utilizando algum tipo de fonte de calor, provocando queimaduras e deformações compatíveis com metal aquecido. A investigação identificou vestígios de ferro na área danificada do equipamento — elemento que reforça a hipótese de tentativa deliberada de violação.
Esse episódio foi decisivo para que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretasse a prisão preventiva do ex-presidente, atualmente detido na Superintendência da PF em Brasília.
O laudo técnico destaca que a região queimada da tornozeleira apresenta sinais de degradação térmica, incompatíveis com danos acidentais. A perícia identificou partículas de ferro na superfície externa, sugerindo o uso de objeto metálico aquecido ou exposição direta a uma fonte intensa de calor.
Além disso, uma segunda análise, ainda em andamento, deve avaliar se houve impacto no circuito eletrônico interno, responsável pela comunicação com a central de monitoramento.
A defesa de Bolsonaro afirma que o ex-presidente estaria sob efeito do medicamento Pregabalina, utilizado para tratar dores neuropáticas e ansiedade. Segundo os advogados, o remédio poderia ter provocado um episódio de alucinação, levando Bolsonaro a manipular o equipamento sem plena consciência.
A versão, porém, não é considerada suficiente para afastar os indícios de tentativa de violação do monitoramento judicial, especialmente diante dos dados técnicos da perícia.
A tornozeleira foi imposta como medida cautelar no contexto do processo que apura a trama golpista e o suposto plano para contestar o resultado das eleições. Danificar ou tentar abrir o equipamento configura descumprimento grave das medidas impostas pelo STF.
Com isso, o episódio fortaleceu o entendimento da Corte de que Bolsonaro representa risco ao regular andamento do processo, motivando a prisão preventiva decretada no dia 14.
A PF aguarda o segundo laudo para fechar o conjunto de provas e incluir o resultado no inquérito. A defesa deve utilizar o argumento das “alucinações” como base para novos recursos, enquanto aliados intensificam o discurso político classificando a prisão como “perseguição”.




